Polémica: Abraão Vicente (MCIC) e Carlos Santos (AJOC) trocam ‘farpas’ nas redes sociais

8/07/2020 00:06 - Modificado em 8/07/2020 00:06
| Comentários fechados em Polémica: Abraão Vicente (MCIC) e Carlos Santos (AJOC) trocam ‘farpas’ nas redes sociais

O presidente da Associação de Jornalistas de Cabo Verde, AJOC, diz-se perplexo e preocupado com as declarações do ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, tutela da Comunicação Social, em reação à sua opinião, enquanto presidente da AJOC.

Carlos Santos, escreve na página oficial da Instituição estar a ser acusado, por  Abraão Vicente, de “falta de lealdade institucional”, de “desonestidade intelectual” e de “tentativa de golpe de estado aos novos estatutos da RTC” e ainda do governante instigar os trabalhadores da RTC e os membros do Sindicato de Jornalistas a se rebelarem contra si, por ter denunciado o “embuste em que se transformaram os estatutos da RTC”.

Utilizando o mesmo meio, a sua página na rede social, o ministro da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC), Abraão Vicente afirma que, neste momento os únicos motivos que movem o Carlos Santos são óbvios. “Por um lado não ter sido indigitado nem pelo colegas da RTC nem pelo estado para integrar o concelho independente, por outro lado, não ser sido escolhido pelo conselho independente para o novo conselho de administração da RTC. Move-lhe o poder e o acesso ao poder na administração da RTC e não o interesse ou a defesa da classe que diz representar.”

Segundo o presidente do sindicato dos jornalistas, o ministro diz que o presidente da AJOC não teve lealdade institucional, mas não fundamenta, nem explica em que sentido e em que momento houve essa quebra, “pasme-se”, de lealdade.

“A verdade é que quem ouve essa acusação estrepitosa desferida pelo ministro que tutela o sector da Comunicação Social pensa que a AJOC teria assumido algum compromisso, algum pacto com o Governo, quiçá na esteira do dever institucional de colaboração, e que agora o desrespeita. Nada mais falso”, explica Carlos Santos.

Nisto, Abraão Vicente, acusa o jornalista Carlos Santos de dar a sua opinião pessoal na página oficial da AJOC, no mesmo dia que o PAICV, “cola-se ao conteúdo do comunicado de imprensa desse partido partilhando assim o posicionamento público”.

Carlos Santos, afirma que a tutela decidiu aceitar a solicitação da AJOC no sentido de ter acesso à proposta dos novos estatutos da Radiotelevisão Cabo-Verdiana, e de sobre ela poder emitir um pronunciamento, e que fez chegar ao gabinete do MCIC um documento de quatro páginas no qual faz as apreciações que considerou pertinentes à proposta do Governo.

No documento, aponta, segundo o jornalista que a composição do Conselho Independente, desvirtua o espírito de autonomia e de independência que deve caracterizar a concessionária, e que a AJOC discordava da escolha da Associação Nacional dos Municípios, enquanto entidade com prorrogativa para indicar um membro para a CI da RTC.

“Julgo ter ficado claro da leitura desses excertos retirados do documento da direcção da AJOC, enviado à tutela da Comunicação Social em julho do ano passado, que, da parte do presidente da AJOC, não houve nem falta de lealdade institucional, e nem tão pouco desonestidade intelectual, acusação que, de resto, devolvemos à procedência”.

Em resposta, Abraão Vicente, diz que os pareceres são pedidos, são analisados e tidos em conta mas não tendo carácter vinculativo. “O Governo é eleito para decidir e não para procurar unanimidades. Os novos estatutos da RTC foram aprovados seguindo todas as normas constitucionais, estão a ser implementadas com a maior transparência possível.”

Carlos Santos ainda diz que “por mais que o ministro Abraão Vicente se esforce por nos convencer de que o Governo se afastou definitivamente da administração da RTC e que não teve nada que ver com as escolhas para o CA da RTC, o espectro, ou a mera suspeita de politização e de governamentalização da maior empresa de comunicação social do país, não vai desaparecer tão cedo. É que nestas coisas “não basta ser sério, é preciso parecer”.

Sobre isso, Abraão Vicente afirma, que tal como prevê os novos estatutos, a tutela em nenhum momento interveio na escolha dos membros do conselho da administração. “Este estatuto é a prova maior da postura de defesa de independência da comunicação social e da profissão do jornalismo por parte deste governo”.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2022: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.