PR diz que detenção de Saab é “caso delicado” e pede respeito por Estado de Direito

2/07/2020 23:26 - Modificado em 2/07/2020 23:26
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O Presidente cabo-verdiano descreveu hoje a detenção de Alex Saab, como um “caso delicado”, pedindo respeito pelo Estado de direito democrático, quando é aguardada a decisão sobre o pedido norte-americano para extradição.

Em conferência de imprensa, na cidade da Praia, ilha de Santiago, sobre os 45 anos da independência de Cabo Verde, que vão ser comemorados no domingo, o chefe de Estado, Jorge Carlos Fonseca, começou por afirmar que não iria tecer comentários ao caso, que considerou ser “delicado” e que está na justiça.

“Não pode estar a pedir que faça comentários sobre um caso delicado, que está na Justiça cabo-verdiana. Num processo em que há um cidadão, empresário, sobre o qual impende acusações – justas ou não, não me cabe dizê-lo – de facto criminalmente graves, que foi detido em Cabo Verde, creio eu para extradição, em que a defesa está a batalhar para a libertação, como eu não comento nenhum caso judicial em concreto, não posso comentar este”, disse.

Por outro lado, pediu respeito pelos direitos de defesa do detido e pelo Estado de direito democrático.

“A única coisa que posso dizer é que, como Presidente de Cabo Verde, e sendo Cabo Verde uma democracia, sempre achei e continuo a achar que, em quaisquer circunstâncias, seja qual for o dossiê, qualquer que seja a sua complexidade, as suas implicações, nós temos que funcionar como um Estado de direito democrático”, declarou.

A este propósito, acrescentou: “Concretamente, a pessoa detida teria que ter e tem que ter, nomeadamente, acesso a todas as garantias de defesa que a Constituição exige para qualquer pessoa detida em qualquer processo judicial”.

Jorge Carlos Fonseca disse ainda ser evidente que o caso tem implicações, já que Cabo Verde é um país pequeno e há muitos interesses, para além de jurídicos, à volta do caso.

“Tanto é assim que não me lembro de receber tantos telefonemas, chamadas de chefes de Estado estrangeiros”, disse, sem especificar.

“Eu espero e estou seguro e faço apelo (…) [para] que este processo seja conduzido de acordo com as regras próprias de um Estado de direito democrático”, concluiu o chefe de Estado cabo-verdiano.

Alex Saab, de nacionalidade colombiana e com passaporte venezuelano, foi detido na noite de 12 de junho, na ilha do Sal, pela Interpol e autoridades policiais cabo-verdianas, com base num mandado de captura internacional emitido pelos Estados Unidos da América (EUA).

Os comentários estão fechados.

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