Covid-19. Familiares acusam autoridades sanitárias de negligência no seguimento dos contactos da mulher de 31 anos que faleceu no passado dia 19 de junho

30/06/2020 23:18 - Modificado em 30/06/2020 23:18
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Familiares da jovem de 31 anos, que faleceu na cidade da Praia, associada ao covid-19, ainda não tem resultados dos testes cujo colectas foram feitas desde segunda-feira, dia 22 de Junho às 15:00h.

director de Prevenção e Controle de Doenças Prioritárias avançou, na altura que a jovem era contacto de outra pessoa que testou positivo e apresentou sintomas.

“A jovem era um contacto de um caso confirmado. Vivia com uma pessoa que já tinha sido infetado com o novo coronavírus. Fez-se a ligação epidemiológica e trata-se de um contacto que já tinha sido confirmado”, disse Jorge Noel Barreto, na conferência diária do dia 20 de Junho.

No entanto, os familiares avançam que até ao momento, ainda não sabem os resultados dos exames, mais concretamente o companheiro marital da falecida, que “continua até hoje sem resposta do teste e anda a circular livremente na comunidade e até, todos os dias, no Hospital à procura de informações do filho que se encontra ainda na incubadora do Hospital Agostinho Neto”.

No entanto, Jorge Barreto havia assegurado que a vítima mortal, havia sido infectada pelo companheiro.

Os familiares da jovem Joceline Baessa Gonçalves, que faleceu no Hospital Agostinho Neto, no passado dia 19 de junho, supostamente vítima de Covid-19, criticam as autoridades de estarem a tratar de “forma superficial”, os que “estão a laborar no combate a esta pandemia”.

De recordar que a jovem faleceu, após ter sido submetida a uma cesariana de uma gravidez com 7 meses de gestação, devido a algumas complicações da gravidez. Por isso, a mesma esteve no Hospital Agostinho Neto, nos dias 05, 15 e 17 de Junho, para efeito de consultas.

Para os familiares os trâmites, antes e depois da morte, exigem esclarecimentos das autoridades de saúde do país.

Para os irmãos, que se identificam por Kevin e Kátia, em representação dos demais familiares, o principal é esclarecer algumas inverdades à volta da morte da irmã e servir de alerta para que as autoridades sanitárias estejam mais atentas em casos do tipo e verdadeiramente contribuir para combater esta pandemia.

Prosseguindo, os irmãos afirmam que a jovem já tinha sido submetida a dois testes rápidos na comunidade, com resultados todos negativos.

Nessas sucessivas deslocações ao Hospital Agostinho Neto, continuam, ela foi submetida a mais um teste rápido no dia 15 de junho, com resultado negativo e, no dia 17 de junho, a um outro teste rápido que acusou presença de anticorpos do novo coronavírus, seguido de um teste PCR que confirmou a infeção por Covid-19.

Estes asseguram que, conforme lhes foi comunicado, a decisão de efectuar a cesariana deriva do resultado do teste PCR ter dado positivo para Covid-19, no dia 17 de junho. No dia seguinte, o procedimento foi realizado, no período de manhã e a família foi informada de que o parto por cesariana correu bem, adiantando que o bebé já se encontrava na incubadora e a mãe estava em repouso na maternidade.

Os contornos da morte

Contam que no dia 19, “a família recebeu a triste e surpreendente notícia do falecimento de Joceline Baessa Gonçalves, vítima de Covid-19” e que no processo de sepultamento foram seguidas todas as recomendações sanitárias que casos dessa natureza exigem.

Entretanto, não entendem como é que as autoridades, segundo as nossas fontes, estão a ser negligentes em relação aos familiares, alegando que os familiares da jovem estão indignados com o abandono total deste caso pelas autoridades sanitárias, e questionam, o facto, de, se primeiro, a jovem realmente morreu de Covid-19 o “porquê de no dia 17 de junho, quando a mesma testou positivo, ninguém da família foi posta em quarentena nem sujeitos a teste?”

E ainda o motivo de só “5 dias depois do teste positivo da falecida apareceram na residência para coleta de amostras para teste e não fizeram quaisquer recomendações à família e nem a desinfecção do espaço interno e circundante da residência?”

“Porque é que o companheiro marital da falecida continua até hoje sem resposta do teste e anda a circular livremente na comunidade e até, todos os dias, no Hospital à procura de informações do filho que se encontra ainda na incubadora do Hospital Agostinho Neto”?

Ainda perplexos, questionam o facto de terem sido negados, na segunda-feira, de “retornar para os seus trabalhos se não apresentassem o teste de PCR”.

Pelos vistos, este caso, pela forma como foi tratado, referem “já deve ter provocado centenas de contaminações na Cidade da Praia e no interior de Santiago pois visitas frequentes e com aglomerados de pessoas a aconteceram todos os dias e horas desde a morte da Joceline até o presente momento”, concluiram.

Elvis Carvalho

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