São Vicente: A ilha dos eventos e festas, sem festividades “está morta”

30/06/2020 00:09 - Modificado em 30/06/2020 00:09

Eventos internacionais cancelados, discotecas fechadas, teatros encerrados. Espaços de entretenimento, às moscas. Uma cidade parada, uma ilha sem movimento. “Temos uma ilha morta e um país morto, já que os eventos é que sopram a economia. Podem existir lojas e todas as outras estruturas abertas, mas não há um dinamismo dentro da cidade que pareça com os eventos”.

Devido à pandemia da COVID -19, vários eventos no país foram cancelados, como Festival da Gamboa, Kriol Jazz Festival, Atlântico Music Expo, Grito Rock Praia, Baía das Gatas e Carnaval de Verão e ainda outros eventos, não só de dimensão internacional, mas de grande impacto a nível nacional, ou regional, para as empresas e para os vários sectores à sua volta, bem como o público que os consome.

Em São Vicente, por exemplo, a ilha ultimamente vivia, antes da pandemia, de “uma dinâmica com a realização dos vários eventos, bem como festas privadas”. E a Covid -19 veio  anular  “drasticamente” esta dinâmica.

Segundo alguns dos nossos entrevistados, que vivem exclusivamente desta área, que é a realização de eventos,  tem sido uma situação complicada de gerir. “Fomos os primeiros a parar com atividades e seremos os últimos a arrancar”, refere Aderson  “Detcha” Soares da D´Eventos, responsável pela organização de grandes eventos na ilha, e a nível nacional como é o caso da CV Color Festival, que este ano, entraria na sua sexta edição. E que devido a pandemia foi cancelado.

Eurico Évora, promotor de eventos da ilha, a empresa SV Tour, também fala sobre esta questão relançando o debate sobre a questão dos eventos, que muitos confundem, com organização de festas. Para estes promotores, é errado fazer esta confusão. “Por isso, não veem o sector como um motor de economia e relacionam só com parodia”.

Teatro, desporto, festival, festival de cores, Cavala fresk, Carnaval de Verão, são eventos e atividades nas discotecas e a proibição de organização de festas privadas, fazem, com que neste momento, a ilha de São Vicente, esteja “morta” a nível de entretenimento.

Aderson Soares relembra que desde de março, “estamos sem trabalhar e a juntar gastos. Temos tido apenas saída na tesouraria e sem perspectivas de entrada de capital e acumulando prejuízos ao longo dos meses”.

Conforme o director-geral da DEventos, chegando nesta época, verão, para além daquilo que prepararam um ano inteiro, “neste momento temos uma perda de 13 eventos”, algo que considera “duro” para uma empresa como a que gere.

Isso sem contar com, o maior evento da empresa, “CV Color festival”, que este ano, seria realizado em oito ilhas.

Por seu lado, Évora, também refere não são só promotores de eventos que beneficiam dos eventos. “Vendedeiras, minimercados, pessoas individuais, entre outros.

E com toda essa maquinaria parada, e sem previsão de quando vão retomar as atividades, a situação piora a cada dia. 

Entretanto, reconhecem que em primeiro lugar está a saúde pública e portanto, apesar dos vários constrangimentos, têm feito muito “malabarismo” no dia-a-dia, para conseguir ultrapassar sem desistir.

Prosseguindo, Detcha Soares, afirma que com esta pandemia, muitos começaram a ver a vantagem dos eventos. Não só as empresas, mas também o que eles fazem para uma ilha como São Vicente, que tem uma agenda à volta de eventos.

“As pessoas veem o que se faz  para a ilha. Podemos dizer que é “um sopro para a economia da ilha”. Ao seu redor, sem entretenimento, há uma falta de motivação para as pessoas saírem de casa e a nível financeiro é uma máquina que, em conformidade com outros sectores, faz girar a economia local.

“Com todos os eventos parados, tudo à volta está parado. Por exemplo, sem eventos, as vendas de bebidas diminuem, o pessoal de backup para, músicos, Dj´s não trabalham, o pessoal de iluminação, som, o artista, o Dj, porteiro, segurança, bar, polícia, fornecedores de bebidas, comida, produção de cartazes, T-shirt”. Sem eventos, estas empresas também diminuem a faturação, explica Detcha Soares.

E São Vicente vive de eventos desde de janeiro, com os preparativos para o carnaval, até dezembro, com as festas de fim de ano. E pelo meio, a época alta, que é de junho a Setembro.

A Staff Promo, que nos anos anteriores, por esta altura, estaria a preparar “grandes eventos” como São João (que já passou), Kavala Fresk Feastival, Festival de Verão e Baía das Gatas, também garante que não há empresa do ramo que esteja preparada para ficar tanto tempo sem trabalhar, por isso está a ficar cada dia mais complicado e que têm vivido da reservas da empresa, para não desistirem.

Citando o plano de desconfinamento do governo, os eventos culturais e desportivos, como festivais, festas e jogos das diversas modalidades, só serão retomados em Cabo Verde “a partir do dia 31 de outubro”.

 “Podia preparar para Outubro, mas com a imprevisibilidade da propagação do vírus,  não podemos programar nada, porque não sabemos, se vão voltar a impor as restrições”, justifica a mesma fonte, pensando no “Hallowen” que é, como preparar um mini carnaval.

Sem condições necessárias reunidas para a realização dos eventos e festas, as empresas ficam sem condições de pagar salários e recorreram ao regime de “lay-off”, sendo que ninguém recebeu, por isso, asseverou, é algo com o qual não podem depender. “E nem o crédito bancário conseguimos ter acesso para ajudar na tesouraria, devido a confusão que está” refere Detcha Soares que  garante que estão por conta própria, a operar apenas com fundos da empresa.

Soluções

Com esta pandemia, vários artistas voltaram-se para os concertos virtuais, com a famosas lives, mas segundo Detcha Soares, num país como o nosso, este tipo de atividades não é rentável. “No país, não se pode dizer que vamos montar uma live e arrecadar as visualizações necessárias, para que seja monetizado”.

Ou então organizar eventos, tendo como regra o distanciamento social, mas que o público esteja sentado e que assista ao evento. “Mas sabemos que isso não é possível, o nosso povo não consegue ficar quieto, sem se aglomerar”.

Por outro lado, diz que no teatro isso já é possível, mas até para isso, esta área está com problemas. O “Festival Internacional de Teatro do Mindelo – Mindelact”, está difícil de imaginar a ilha sem ele.

Elvis Carvalho

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