Milhões de trabalhadores migrantes poderão regressar aos países de origem

24/06/2020 17:46 - Modificado em 24/06/2020 17:46
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A Organização Mundial do Trabalho (OIT) prevê o regresso de milhões de trabalhadores migrantes aos seus países de origem, em particular a África e Ásia, confrontados com o desemprego devido à pandemia da covid-19.

© Reuters

Segundo as estatísticas da OIT, existem cerca de 164 milhões de trabalhadores migrantes no mundo — cerca de metade mulheres – que representam 4,7% da mão de obra mundial.

Sabemos que vários milhões de trabalhadores migrantes que ficaram confinados nos países onde trabalham perderam o seu emprego e devem agora regressar aos seus países de origem que já estão confrontados com uma economia instável e um aumento do desemprego“, assinalou Manuela Tomei, responsável pelas Condições de Trabalho e Igualdade na OIT.

“Potencialmente, trata-se de uma crise no interior da própria crise da covid-19”, indicou em comunicado.

Segundo a OIT, o Nepal, por exemplo, poderá ver regressar 500.000 pessoas provenientes do Médio Oriente e Malásia, e a Etiópia entre 200.000 e 500.000, enquanto a Índia já repatriou mais de 220.000 trabalhadores.

No entanto, e segundo a OIT, a maioria dos países de origem apenas “possuem possibilidades limitadas para reinserir um tão grande número de pessoas”.

Numa referência aos trabalhadores migrantes latino-americanos no interior desta região e nos Estados Unidos, Manuela Tomei disse que as restrições de movimento pela pandemia impediram que fosse efetuada uma avaliação da situação no terreno.

A organização internacional também receia que estes regressos impliquem “graves consequências sociais e económicas” caso ocorram num curto espaço de tempo e se os migrantes não beneficiarem de medidas de proteção social ou não receberem qualquer ajuda para a sua reintegração no mercado de trabalho dos países de origem.

Em paralelo, a OIT sublinha que outros trabalhadores migrantes permanecem bloqueados nos países onde trabalhavam, sem acesso à proteção social e com muito pouco dinheiro para assegurar a sua alimentação e alojamento.

A OIT assegura ainda que mesmo os que permanecem com trabalho devem registar uma redução dos seus salários e são forçados a viver em “alojamento de estaleiros exíguos onde o distanciamento físico é impossível”, aumentando os riscos de contraírem o novo coronavírus.

Perante este cenário, a OIT solicita que sejam adotadas medidas para proteger os trabalhadores migrantes atualmente bloqueados, e medidas de reinserção para os que regressem aos seus países de origem.

“Se adotarmos boas medidas, o regresso destes trabalhadores pode contribuir para o relançamento económico”, disse Michelle Leighton, responsável pelo departamento Migrações de trabalhadores da OIT.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 477 mil mortos e infetou mais de 9,2 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Os Estados Unidos são o país com mais mortos pela covid-19 (121.225) e mais casos de infeção confirmados (mais de 2,3 milhões).

Seguem-se o Brasil (52.645 mortes, mais de 1,1 milhões de casos), Reino Unido (42.927 mortos, mais de 306 mil casos), a Itália (34.675 mortos e mais de 238 mil casos), a França (29.720 mortos, mais de 197 mil casos) e a Espanha (28.325 mortos, mais de 246 mil casos).

A Rússia, que contabiliza 8.503 mortos, é o terceiro país do mundo em número de infetados, depois dos EUA e do Brasil, com mais de 606 mil, seguindo-se a Índia, com mais de 456 mil casos e 14.476 mortos.

Em África, há 8.618 mortos confirmados em mais de 324.500 infetados em 54 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

Por Lusa

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