Idosos continuam a sofrer violência em silêncio

15/06/2020 17:07 - Modificado em 15/06/2020 17:07
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Em Cabo Verde alguns casos de violência contra idosos têm acontecido, chegando até à morte. Há crimes por desvendar, como por exemplo, o assassinato do casal de idosos, na zona de Madeiralzinho, em São Vicente, que foi encontrado morto na sua residência a 4 de março de 2017. Até hoje, apesar das investigações, não se sabe quem é o ou autores do crime.

Não é de hoje que existe violência contra idosos. Infelizmente, sempre existiu. Porém, nesse contexto potencializada pela covid-19, segundo especialistas, a tendência é que essas situações aumentem exponencialmente, quando a maioria das pessoas idosas está “aprisionada” em casa.

O alerta foi feito para marcar o Dia Mundial da Conscientização da Violência à Pessoa Idosa, esta segunda-feira, 15 junho, declarada pela Organização das Nações Unidas e pela Rede Internacional de Prevenção à Violência à Pessoa Idosa, em 2006, a data busca conscientizar a sociedade da existência da violência contra essas pessoas e prevenir novos casos.

“Ainda temos muitos idosos que vivem em situação muito difícil. Há violências silenciosas, como por exemplo a falta de acesso a alguns bens essenciais como alimentação, o convívio social e mesmo a nível das atividades de que mais gostam”, diz um dos membros da Fundação “Sima Júlia”, Teresa Mascarenhas, em entrevista à rádio pública.

Apesar de não existir no país um estudo completo que fale sobre a violência sobre os idosos, Teresa Mascarenhas diz que a maioria dos casos acontece em casa e em silêncio.

Segundo a mesma, a data, 15 junho, torna-se ainda mais importante neste momento de pandemia da covid-19. A mais comum é a negligência, quando os responsáveis pelo idoso deixam de oferecer cuidados básicos, como higiene, saúde, medicamentos  e proteção a todos os níveis, bem como o  abandono que é considerado uma forma extrema de negligência.

Ainda a violência física, a sexual e também a violência psicológica ou emocional e a violência financeira ou material que é a exploração imprópria ou ilegal dos idosos ou uso não consentido de seus recursos financeiros e patrimoniais.

Em Cabo Verde, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), de Outubro de 2019, seis por cento da população em Cabo Verde é idosa (65 ou mais anos), 32.870 pessoas, sendo que destes 12.930 são homens (39,3%) e 19.940 mulheres (60,7%).

De acordo com o INE, no arquipélago, 37,7% da população idosa tem 80 anos ou mais, o índice de envelhecimento corresponde a 2,8% (três idosos por cada 100 crianças menores de 15 anos) e o índice de dependência dos idosos é 6,4% (seis idosos por cada 100 pessoas de 15-64 anos).

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