Etiópia critica “teimosia” do Egito sobre grande barragem no rio Nilo

14/06/2020 21:04 - Modificado em 14/06/2020 21:04
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O governo etíope criticou hoje “a teimosia” do Egito nas negociações para chegar a um acordo sobre uma grande barragem no rio Nilo, classificando a posição do Cairo como “inaceitável” por defender “tratados de base colonial”.

© Reuters

Depois de, no sábado, o ministro dos Recursos Hídricos do Egito, Mohammed el-Sebaei, ter acusado a Etiópia de complicar estas negociações com uma nova proposta “preocupante” por pretender “descartar todos os acordos e entendimentos alcançados pelos três países ao longo de cerca de uma década”, o governo etíope veio hoje descrever os comentários de Cairo como “infelizes”, exortando a uma negociação baseada na “boa fé” e na “transparência”.

“Qualquer tentativa de enganar a comunidade internacional ou de fazer campanha para pressionar a Etiópia a aceitar tratados de base colonial, limitando o seu legítimo direito de utilizar o Nilo […], é inaceitável”, afirmou hoje em comunicado o Ministério da Água, Rega e Energia etíope.

A Etiópia pretende começar a encher o reservatório da barragem durante as próximas semanas, mas o Egito já se mostrou preocupado de que o enchimento precoce da reserva possa causar uma redução na quantidade de água do Nilo disponível neste país.

“Já foram feitos progressos, mas se as negociações em curso falharem será apenas por causa da teimosia do Egito”, adiantou Adis Abeba na declaração hoje divulgado, acusando o Cairo de negar “à Etiópia e a todos os países à volta os seus direitos naturais e legítimos”.

As negociações entre Egito, Sudão e Etiópia para uma grande barragem no rio Nilo vão ser retomadas esta semana, anunciaram hoje os três países africanos, apesar de o Cairo acusar os etíopes de impedirem progressos na resolução de diferendos.

Os três países não conseguem chegar a um acordo através das diversas conversações mantidas ao longo dos últimos anos, que sofreram uma interrupção inesperada, em fevereiro, quando a Etiópia rejeitou uma proposta elaborada pelos Estados Unidos e acusou a administração de Donald Trump de tomar partido pelo Egito.

A construção da Grande Barragem do Renascimento, pela Etiópia, no rio Nilo Azul, com um custo de 4,6 mil milhões de dólares (4 mil milhões de euros), está concluída em mais de 70% e pretende fornecer energia elétrica aos 100 milhões de habitantes da Etiópia, mas tem sido uma questão fraturante entre os três principais países da bacia do maior rio africano.

Após meses de impasse, os ministros dos Recursos Hídricos de Sudão, Egito e Etiópia retomaram conversações na última semana, sob a ‘vigilância’ de observadores dos Estados Unidos, União Europeia e África do Sul, que preside, neste momento, à União Africana.

O impasse sobre a questão da barragem agudizou-se nos últimos meses, com o Egito a declarar que irá utilizar “todos os meios disponíveis” para defender “os interesses” do seu povo, enquanto o chefe das forças armadas etíopes afirmou, sexta-feira, que o país defenderá a sua posição com todas as forças e não negoceia a sua soberania sobre a barragem.

O rio Nilo Azul corre da Etiópia para o Sudão, onde se junta ao Nilo Branco perto da capital, Cartum, para formar o Nilo, cuja água que chega à sua foz, no Egito, provém da Etiópia em 85%.

Por Lusa

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