Pandemia criou “emergência alimentar” global que poderá afetar milhões

9/06/2020 20:54 - Modificado em 9/06/2020 20:54
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O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, alertou hoje para a “emergência alimentar global iminente”, decorrente da pandemia, e que poderá ter “impactos a longo prazo” para milhões de pessoas “a menos que sejam tomadas medidas”.

© Reuters

“É cada vez mais claro que existe uma emergência alimentar global iminente que pode ter impacto a longo prazo em centenas de milhões de crianças e adultos”, sublinhou o secretário-geral das Nações Unidas, através de uma mensagem em vídeo publicada na página da ONU News na Internet.

As declarações de Guterres surgem na sequência da publicação, hoje, do Documento Político sobre o Impacto da Covid-19 na Segurança Alimentar e Nutricional.

De acordo com o responsável das Nações Unidas, “os sistemas alimentares estão a falhar e a pandemia está a agravar a situação”.

Contudo, o português considerou que “há alimentos mais do que suficientes no mundo para alimentar a população” de cerca de 7,8 mil milhões de pessoas, mas “a menos que tomadas medidas imediatas, é cada vez mais claro” que milhões de pessoas não tenham acesso a bens alimentares.

Por isso, é necessário “designar os serviços de alimentação e de nutrição como essenciais” e implementar “proteções adequadas para os trabalhadores”.

Isto significa que é imperativo fomentar os mercados locais, apoiar o processamento de alimentos e o seu transporte.

“Os corredores comerciais devem continuar abertos para garantir o funcionamento contínuo dos sistemas alimentares”, prossegue o secretário-geral da ONU.

Os Estados-membros das Nações Unidas devem garantir a chegada dos “pacotes de ajuda e de estímulo” aos “mais vulneráveis, incluindo as necessidades de liquidez dos pequenos produtores de alimentos” e também das empresas rurais.

O ambiente não ficou de fora da mensagem de Guterres.

O secretário-geral da ONU exortou para a necessidade de “reequilibrar a relação entre os sistemas alimentares e o meio ambiente, transformando-os para trabalhar melhor com a natureza e o clima”.

Recordando que “os sistemas alimentares contribuem com até 29% de todas as emissões de gases de efeito estufa”, Guterres considerou que é preciso adotar “todas estas recomendações” para evitar os “piores impactos da pandemia e apoiar a transição para uma economia mais amiga do ambiente”.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 406 mil mortos e infetou mais de 7,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados, embora com menos mortes.

Por Lusa

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