Segundo caso de COVID-19 que escapa ao controlo do HBS: Sai mais um inquérito e fica tudo na mesma?

2/06/2020 00:50 - Modificado em 2/06/2020 00:50
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O caso da paciente grávida vinda da ilha do Sal e que depois de entrar no Hospital Batista de Sousa (HBS) como uma doente normal, testou positivo para COVID-19. É o segundo caso. No final do mês de Marco, a paciente chinesa entrou pelo banco de urgência, foi colocada na enfermaria de Medicina e depois testou positivo para COVID-19.

Como se sabe foi mandado instaurar um inquérito depois da direção do HBS ter “admitido falhas”, mas até agora não se conhecem as conclusões. Mas as interrogações dos populares são muitas e legítimas: Como é possível, pela segunda vez, só detetarem um caso de COVID-19 depois do paciente estar internada nas instalações do Hospital? Ou “não aprenderam com os erros cometidos com a paciente chinesa?”. Parece que não, pois em relação a esse caso o que se viu  foi a direção do HBS a bater palmas, com a presença da TCV, quando a paciente  chinesa teve alta. Mas o facto é que mais um caso  de COVID-19 passa pelo controlo do HBS e é internada como um caso normal. A paciente vai para uma enfermeira e depois descobre-se que está infetada com o vírus.

No caso da paciente chinesa ninguém exigiu responsabilidades às autoridades sanitárias. Nem os profissionais de saúde, nem os outros doentes que ficaram expostos ao vírus. Talvez por que só tiveram o transtorno de passar pela quarentena, medo e ansiedade, por que esse vírus da paciente chinesa não infetou mais ninguém.

Mas a situação repete-se, e com a criculação de pessoas entre as ilhas pode repetir-se mais vezes. Os profissionais de saúde, com quem falamos, estão apreensivos. Um desses profissionais, que pediu anonimato, atendeu na primeira linha a paciente chinesa revelou os momentos difíceis que passou  “No dia 27 de março estava de plantão e fui um dos profissionais que teve contacto com a paciente. Para atender a paciente segui as orientações dadas pelo Ministério da Saúde aos profissionais da saúde usei equipamentos de proteção individual, como máscara, luvas”.

Conta que no fim-de-semana, viveu um dos momentos mais tensos da sua profissão ao conhecer o resultado positivo da paciente. “Fiquei extremamente preocupada, porque fiquei pensando nos outros pacientes com quem tive contacto e poderiam ter contraído o vírus através de mim e também tê-lo transmitido aos meus familiares”. Perante  este novo caso considera que representa uma “irresponsabilidade enorme e, se continuar assim, vai ser difícil controlar a propagação do vírus”. Questiona, se não custa “muito menos realizarem-se testes na origem e que os protocolos sanitários das evacuações deveriam ser sempre seguidos.”

Continuamos à espera dos resultados de um inquérito mandado realizar pelo Ministério da Saúde que mantém em vigor um protocolo que pelo menos no que diz respeito ao questionário para detetar casos suspeitos  de COVID-19  já demostrou que é ineficaz. Foi no caso da paciente chinesa  e foi, agora, no caso da senhora grávida.

A diretora do Hospital Ramiro Alves Figueira, no Sal, continuando a valer-se desse protocolo disse à RCV que o serviço não fez o teste para COVID-19 por que o protocolo não exige “quando o paciente é evacuado de uma ilha sem casos de COVID-19, como é o caso do Sal”. E, também, por que os sintomas da paciente e o questionário de despiste não apontavam para um caso suspeito de COVID-19. Assim começamos a entender por que os casos de COVID-19 aparecem nos hospitais de Cabo Verde, desde o hospital Agostinho Neto, Trindade, Batista de Sousa, Ramiro Alves Figueira entrando pelas enfermeiras como “doenças  normais” colocando em perigo os profissionais de saúde e os utentes. Isto, enquanto os  hospitais seguem às cegas um protocolo que obriga a um questionário que, no HBS por duas vezes falhou.

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