Cidadãos retidos fora da ilha de residência “imploram” ao Governo que agilize processo de regresso a casa

28/05/2020 23:30 - Modificado em 28/05/2020 23:30

Muitos cidadãos retidos fora da ilha de residência e que por isso têm dificuldades de voltar por causa da restrição de circulação vigente, devido a pandemia da covid-19, voltaram a manifestar o seu descontentamento devido ao que consideram de descaso do Governo em não agilizar o processo do seu regresso a casa.

Esta nova onda de descontentamento dos cidadãos residentes no arquipélago surge após o anúncio do Governo dos novos voos de repatriamento de cabo-verdianos, anunciados esta semana, de alguns países da União Europeia e Estados Unidos da América.

Estes cidadãos que continuam retidos fora das suas ilhas de residência e há muito veem reivindicando junto do executivo o seu desejo de retorno a casa, isto depois de, por motivos de saúde, profissionais e de outra ordem, terem sido apanhadas desprevenidos em outras ilhas, aquando do anúncio oficial por parte do Governo para a suspensão das ligações marítimas e aéreas interilhas devido a pandemia da covid-19, o que faz com que estas pessoas estejam há meses longe do local de residência.

“Veem pessoas do Brasil, dos Estados Unidos da América, da Europa, que tem muitos casos de Covid-19, agora pessoas na cidade da Praia há meses, não conseguem regressar para as suas casas” elucida Joaquim Anes, que diz não entender tal medida do Governo em proteger os cidadãos no exterior e os que estão cá de dentro não têm o mesmo tratamento.

Já Cláudia Pires, na mesma senda diz não compreender o porque de um cidadão que está retido numa ilha com casos positivos (Santiago), não pode regressar a sua ilha de origem, mas que as portas estão abertas para cidadãos nacionais que estão retidos em países com milhares de casos positivos e de mortes provocados pelo novo coronavírus. “O nosso Governo é solidário com aqueles que estão retidos lá fora, mas connosco já não existe a mesma onda de solidariedade” frisa.

“Acho que chegou a altura de implorarmos ao Governo para agilizar o nosso regresso, porque já não aguentamos mais estar longe de casa. Deverá haver uma igualdade de tratamento de todos os cidadãos cabo-verdianos, atuando de outra maneira estão violando a Constituição no seu Artigo 1º – Ponto 2, onde diz: ‘A República de Cabo Verde reconhece a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, sem distinção da origem social ou situação económica, raça, sexo …’. Todos merecemos o mesmo tratamento” assevera outra internauta.

Na semana passada 33 cidadãos que estavam retidas na ilha da Boa Vista regressaram para as ilhas de São Vicente, Sal e Santiago, no âmbito de uma resolução do Governo que permitia o regresso a casa de cidadãos que se encontravam nesta situação.

De realçar que neste momento existem apenas ligações marítimas domésticas de passageiros entre as ilhas de São Vicente, Santo Antão, São Nicolau, Sal, Brava, Maio e Fogo, enquanto que a ilha da Boa Vista que saiu recentemente do estado de emergência aguarda por luz verde para poder retomar as suas ligações. Em situação mais complicada está a ilha de Santiago, que é neste momento o centro da pandemia da Covid-19 no país.

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