Reino Unido organiza voo para retirar cidadãos retidos em Cabo Verde

27/05/2020 14:49 - Modificado em 27/05/2020 14:49

O voo destina-se a cidadãos britânicos com residência habitual no Reino Unido e para dependentes que viajam com cidadãos nacionais, sendo atribuída prioridade a britânicos em situação “vulnerável”.

Foto: Fernando de Pina/Lusa

O Reino Unido vai realizar em 3 de junho um voo para retirar os cidadãos nacionais que permanecem retidos em Cabo Verde, arquipélago fechado há mais de dois meses a voos comerciais para travar a Covid-19, foi esta terça-feira anunciado.

Segundo informação disponibilizada pelo FCO (Foreign and Commonwealth Office), responsável pela proteção dos interesses e cidadãos britânicos no exterior, este “voo especial” será feito a partir do Aeroporto Internacional Amílcar Cabral, na ilha do Sal, e terá um custo por pessoa de 600 libras (671 euros), para regresso ao Reino Unido.

O voo destina-se apenas a cidadãos britânicos com residência habitual no Reino Unido e para dependentes que viajam com cidadãos nacionais, sendo atribuída prioridade a britânicos em situação “vulnerável”.

Desde 19 de março que o arquipélago de Cabo Verde está fechado a voos internacionais – permitindo apenas voos de repatriamento – como medida para travar o alastramento da pandemia de Covid-19. As ligações interilhas foram suspensas dez dias depois, já com o país em estado de emergência, tendo sido retomadas progressivamente, apenas nas ilhas então sem casos ativos da doença e somente por via marítima, em 11 de maio.

A informação do FCO refere que “outros cidadãos estrangeiros poderão ser acomodados se houver capacidade suficiente” no voo de 3 de junho.

Quase 200 mil britânicos visitaram Cabo Verde em 2019, segundo dados do Instituto Nacional de Estatística cabo-verdiano, entre os 819 mil turistas que o arquipélago recebeu no ano passado.

Santiago é atualmente a única ilha cabo-verdiana em estado de emergência, pelo menos até 29 de maio, e com casos ativos de Covid-19, devido ao foco na Praia, que concentra 83% dos 390 casos diagnosticados no país desde 19 de março e que já resultaram em três óbitos, o primeiro dos quais precisamente um cidadão inglês de 62 anos, que foi também o primeiro diagnosticado com a doença em Cabo Verde.

A embaixada dos Estados Unidos da América (EUA) em Cabo Verde anunciou anteriormente a realização do nono e último “voo de repatriamento” de cidadãos norte-americanos naquele arquipélago, com destino a Boston, em 28 de maio.

Em maio apenas foram autorizados pelo Governo cabo-verdiano outros dois voos, da Praia com destino a Lisboa e ao Luxemburgo, para retirar cidadãos europeus retidos no arquipélago.

Este último “voo de repatriamento” para cidadãos norte-americanos já vinha sendo anunciado há várias semanas e, antes da partida da Praia para os EUA, terá escalas, para recolha de passageiros, nas ilhas do Sal e de São Vicente (Mindelo).

Desde o início da pandemia provocada pelo novo coronavírus, a embaixada dos Estados Unidos na Praia refere já ter organizado oito voos de repatriamento de Cabo Verde, permitindo o regresso de mais de 400 cidadãos norte-americanos.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 344 mil mortos e infetou mais de 5,4 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Texto Lusa

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