Astrónomos descobrem galáxia em forma de disco com 12,5 mil milhões de anos, a mais antiga deste tipo

24/05/2020 22:20 - Modificado em 24/05/2020 22:20
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Chama-se “Disco de Wolfe” e formou-se há 12,5 mil milhões de anos. Até agora, os astrónomos não achavam possível encontrar uma galáxia deste tipo tão antiga.

“Há muito tempo, numa galáxia muito distante…” A frase de abertura da saga Star Wars não parece de todo descabida quando falamos da descoberta mais recente de uma galáxia, já que se trata de uma mesmo “muito distante” e que, de acordo com o estudo publicado esta semana na revista Nature, foi criada “há muito tempo” — mais precisamente 12,5 mil milhões de anos, uma data em que os cientistas consideravam impossível, até agora, terem-se formado galáxias no universo.

Esta galáxia distante ganhou o nome de Galáxia DLA0817g, mas ficou de imediato informalmente conhecida entre os astrónomos que a descobriram como Disco de Wolfe, em homenagem ao cientista Arthur M. Wolfe, que já tinha teorizado sobre a formação de galáxias em forma de disco, como esta e como a nossa Via Láctea, segundo explica a CNN.

A cadeia de televisão norte-americana explica que o Disco de Wolfe ter-se-á formado há 12,5 mil milhões de anos, quando o universo ainda tinha apenas 1,3 mil milhões de anos, altura em que os cientistas achavam não existirem ainda este tipo de galáxias. A Science News acrescenta que as galáxias em disco como esta — e como a Via Láctea — só tinham sido detetadas 3 mil milhões de anos depois do Big Bang (que ocorreu há 13,8 mil milhões de anos). A descoberta pode por isso alterar a forma como a ciência pensava até agora que as galáxias eram criadas. Este é um estudo que, nas palavras da astrofísica Rachel Somerville à mesma revista, “desafia o paradigma aceite de como as galáxias em forma de disco se formam e evoluem no universo”.

Com uma massa 72 mil milhões de vezes superior à do sol, o Disco de Wolfe tem uma forma em disco bem definida, o que é raro. “A maior parte das galáxias descobertas no início da formação do universo são um desastre, porque passaram por fusões consistentes e muitas vezes ‘violentas’”, declarou o líder do estudo Marcel Neeleman, do Instituto Max Planck de Astronomia em Heidelberg (Alemanha). “Essas fusões quentes fazem com que seja difícil formarem-se discos frios e plenamente formados, em rotação, como aqueles que encontramos no presente, no universo”.

Cátia Bruno/Observador

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