Suécia com o maior número per capita de mortes por Covid-19 na última semana

20/05/2020 16:25 - Modificado em 20/05/2020 16:25
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Tendo em conta apenas os últimos oito dias, a Suécia foi o país com maior número per capita de novas mortes por Covid-19 no mundo. Abril foi ainda o mês com mais mortes desde 1993.

Foto: AFP via Getty Images

Neste momento, nenhum outro país da Europa regista um rácio de mortes em função da população tão alto como a Suécia. Os números da Our World in Data indicam que entre 12 e 19 de maio a média de novas mortes por Covid-19 foi de 6,25 por milhão de habitantes, acima dos 5,75 registados no Reino Unido. A Suécia, que optou por medidas mais suaves para conter a pandemia, acumula um total 31.523 casos de infetados com o novo coronavírus.

Nas últimas 24 horas, a doença provocou mais 88 mortes, elevando a cifra global para as 3.831. Apenas a Bélgica, entre os países com dimensão populacional semelhante, regista um valor superior: esta semana ultrapassou a barreira dos 9 mil, levando a que ambos os países tenham sido muito mais afetados do que Portugal, onde, à data desta quarta-feira, se contava 1263 vítimas mortais.

Quando se olha para o mapa dos países nórdicos, os dados fazem da Suécia uma exceção: comparados com os valores da Islândia, Noruega ou Dinamarca, os números suecos fazem questionar o que houve de diferente em relação aos países vizinhos. Uma das respostas está na abordagem: apontada como um exemplo, por oferecer uma via diferente do resto da Europa, a Suécia não pediu à população para se fechar em casa.

Nos últimos meses, evitou fechar o comércio, a restauração e o ensino fundamental. Só os lares foram alvos de medidas mais restritivas, tendo visitas proibidas desde 31 de março. No entanto, é nos lares e nas estruturas residenciais para idosos que se registam quase metade de todas as mortes por Covid-19 no país.

O governo deixou ainda nas mãos da população a decisão de manter ou não o distanciamento social, numa estratégia cujo objetivo seria alcançar a imunidade de grupo. No entanto, há indicadores que podem colocar em causa os planos do executivo: uma pesquisa feita pelas autoridades de saúde em Estocolmo, a região mais povoada da Suécia, apenas 7% da população tem anticorpos que permitam a proteção contra o vírus da Covid-19.

Ainda assim, uma recessão económica no país não está fora de equação: mesmo sem fechar estabelecimentos e com medidas mais suaves, como o apelo ao teletrabalho, este ano o Produto Interno Bruto pode contrair perto de 7%, segundo a ministra das Finanças sueca, Magdalena Andersson.

Por Luís Vaz Fernandes em Observador

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