Covid “não é letal”, diz o favorito dos bolsonaristas para pasta da Saúde

19/05/2020 21:04 - Modificado em 19/05/2020 21:04

Ítalo Marsili tem sido apontado para assumir o cargo de ministro da Saúde do Brasil. É conhecido pelas suas afirmações polémicas, entre as quais a de que o voto feminino é mau para a democracia. “É muito fácil convencer uma mulher a votar, basta seduzi-la”, disse.

© Ítalo Marsili/Facebook

Nos últimos dias tem surgido uma corrente de apoio na internet e nas redes sociais por parte dos apoiantes de Jair Bolsonaro a Ítalo Marsili, para assumir o cargo de ministro da Saúde, que está a ser exercido de forma interina pelo general Eduardo Pazuello, depois da demissão de Nelson Teich.

Mas quem é Ítalo Marsili? É um médico e escritor, conhecido por ser um apoiante de Bolsonaro e pelas suas várias informações polémicas. Também afirma ser psiquiatra, como se pode verificar no seu perfil no Twitter, por exemplo, embora não existam provas de que realmente o seja.

A Associação Brasileira de Psiquiatria adiantou ao jornal O Globo que Marsili não é um dos seus associados. Aliás, na sua ficha de inscrição no Conselho Federal de Medicina não consta o registo desta especialidade.

Entre as afirmações controversas, há uma que se destaca face à eventualidade de Marsili ser considerado para a posição de ministro da Saúde. Num vídeo publicado nas redes sociais no mês passado, Marsili referiu-se ao coronavírus como uma “viruzinho” e até foi mais longe.

“A Covid não é letal. Em termos médicos, pode-se dizer isto com muita tranquilidade. As pessoas morrem engasgadas numa noite de orgia. Morrem de gripe, morrem de pneumonia (…) Você pode morrer hoje. Sabia que nas férias os acidentes domésticos aumentam 50%? As pessoas estão todas de férias neste momento, estão em casa. Quantas pessoas morreram de acidentes domésticos neste período?”, atirou Ítalo Marsili.

De acordo com os dados mais recentes do Ministério da Saúde brasileiro, 254.220 pessoas já foram infetadas e 16.792 morreram devido à Covid-19.

Mas este apoiante de Bolsonaro também critica o voto feminino, que considerou ser mau para a democracia.

“Quando Platão falava de democracia… Mulheres, ofendam-se, porque é isso que vocês são. A única democracia que funcionou foi a democracia grega e não previa o voto feminino. Quando o voto passou a ser pleno verificou-se uma crise na regência do estado. Porque é muito fácil convencer uma mulher a votar, basta seduzi-la”, frisou Marsili.

E acrescentou que, atualmente, Winston Churchill não seria eleito como primeiro-ministro britânico.

“Porque é que ele não seria eleito? Porque não é aprazível. Ele não é sedutor, não é bom moço, fumava charuto, bebia whisky, é carrancudo, mas era um bom governante. Ele não era sedutor. Quando as mulheres passaram a ter direito a votar, a campanha eleitoral ficou muito fácil de se fazer. Basta fazer uma campanha populista, sedutora. É assim que se ganham eleições. Metade dos eleitores são mulheres, basta seduzir, porra”, salientou.

É uma figura apreciada pelos filhos de Bolsonaro

O próprio Ítalo Marsili demonstrou disponibilidade para ser o novo ministro da Saúde do Brasil. E até surgiram algumas notícias nos meios de comunicação brasileiros de que esteve esta segunda-feira em Brasília. Outro dado que pode jogar a seu favor é o facto de estar nas boas graças dos filhos de Jair Bolsonaro.

Além disso, tal como o presidente brasileiro, também gosta de atacar os media. Depois de se mostrar disponível para assumir a pasta da saúde, Ítalo Marsili acusou os meios de comunicação brasileiros de “tentarem denegrir” o seu nome e o seu trabalho.

Em Notícias ao Minuto

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