Cidadãos retidos fora da ilha de residência pedem ao Governo o mesmo tratamento que os cabo-verdianos no estrangeiro

17/05/2020 19:18 - Modificado em 17/05/2020 19:18

Após o anúncio da aprovação da resolução do Governo para o repatriamento de cabo-verdianos retidos em vários países, os cabo-verdianos retidos fora da ilha de residência e que por isso têm dificuldades de voltar por causa da restrição de circulação vigente no estado de emergência, pedem o mesmo o tratamento e questionam o executivo sobre o porquê de não tomar a mesma decisão para todos.

Por motivos de saúde, profissionais e de outra ordem, muitas pessoas foram apanhadas desprevenidas em outras ilhas aquando do anúncio oficial por parte do Governo da suspensão das ligações marítimas e aéreas inter-ilhas, devido a pandemia da covid-19, o que faz com que estas pessoas estejam há cerca de 2 meses fora da ilha de residência.

No entanto, o Governo anunciou recentemente que as pessoas que estavam retidas nas ilhas, iriam ser transportadas com segurança para as suas ilhas, seguindo os protocolos sanitários. Um facto que não chegou a ser consumado. Mas perante a saída do estado de emergência das ilhas sem casos de covid-19, o executivo reiniciou as ligações marítimas, ficando de fora a ilha da Boa Vista e a de Santiago, esta última ainda sob a vigência do estado de emergência.

Perante este cenário e da vontade do executivo em querer trazer para o nosso país as pessoas residentes em Cabo Verde e que se encontram em outros países, por razões várias, desde saúde, profissionais e turismo e que neste momento estão impedidas de regressar devido à interdição de voos causada pela pandemia da covid-19, motivou a indignação de muitos dos que estão retidos em outras ilhas.

Para muitos, esta medida do Governo é vista como um “autêntico desrespeito e desigualdade” para com os nacionais que estão retidos fora da ilha de origem, por questões de saúde e profissionais, e que há muito esperam por indicações para quando regressar para casa.

“Como tem o Governo a capacidade de repatriar os cidadãos que se encontram no exterior e não consegue fazer o mesmo com os cidadãos que estão nas ilhas? Questiona um cidadão retido há já três meses na cidade da Praia.

Outro cidadão que está retido na ilha da Boa Vista, por sua vez, diz não entender o porque da insistência do Governo em repatriar os cidadãos cabo-verdianos no estrangeiro e não conseguir fazer o mesmo com aqueles que estão retidos cá dentro. “Mesmo estando fora do estado de emergência, ainda somos obrigados a permanecer aqui com as condições a piorar?” interroga o jovem Eddy.

“Estou retida aqui em São Vicente há cerca de dois meses. Tratei de todos os documentos para viajar para a Boa Vista, mas quando fui perguntar pela viagem, informaram-me que não havia escala” desabafa Milva Gomes.

“Até ainda não ouvi a resposta sobre quando poderei ir para a Boa Vista. Fiquei retida aqui na ilha do Maio já há 2 meses e tenho filho um filho menor na Boa Vista” diz Alyah Kenzo Gomes.

Para já e como afirmou o Primeiro Ministro, Ulisses Correia e Silva, na quinta-feira, mesmo saindo do estado de emergência, o transporte marítimo e aéreo de passageiros com origem e destino à Boa Vista continuará interdito.

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