OMS alerta para o agravamento da situação alimentar em África

14/05/2020 13:00 - Modificado em 14/05/2020 13:00

A diretora regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para África, Matshidiso Moeti, alertou hoje para o agravamento que a covid-19 está a provocar na situação alimentar no continente africano, onde mais de 200 milhões de pessoas estão subnutridas.

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Durante uma conferência de imprensa online, em que participaram peritos da OMS, do Ruanda e do Programa Alimentar Mundial (PAM), sobre a covid-19 em África, Matshidiso Moeti considerou a situação alimentar no continente “uma questão urgente”.

“A pandemia de covid-19 está a agravar a situação”, disse.

Igualmente presente na conferência online, o diretor regional do Programa Alimentar Mundial (PAM) para a África Ocidental e Central, Chris Nikoi, afirmou que, se nada for feito, muitos milhares de pessoas poderão ficar sem capacidade de se alimentar por causa do impacto da covid-19.

A produção alimentar será “seriamente afetada” se muitas pessoas forem infetadas pela doença, advertiu.

Para Chris Nikoi, “é preciso encontrar um balanço entre as pessoas circularem e não difundirem nem apanharem o vírus”.

Matshidiso Moeti reiterou a necessidade de medidas que evitem a propagação da doença: “Uma das principais medidas para prevenir a covid-19 é evitar as reuniões em massa. O princípio é manter uma distância sempre que possível e incentivar a utilização de barreiras como as máscaras”.

A especialista reconheceu que “o impacto e propagação da covid-19 não é o mesmo em todas as zonas dos países” e adiantou que a OMS está a trabalhar com alguns países e a pedir-lhes que “analisem os dados e levantem as restrições em áreas onde o risco é mínimo”.

Ao mesmo tempo, alertou para a necessidade de os serviços prosseguirem o tratamento de doenças crónicas, como a obesidade ou a diabetes.

A este propósito, recordou um estudo apresentado esta semana que sugere que meio milhão de pessoas morreriam se os serviços de apoio ao VIH fossem interrompidos durante seis meses.

Tal como aconteceu na semana passada, Matshidiso Moeti foi várias vezes questionada pelos jornalistas que participaram online no evento sobre o chá com propriedades alegadamente curativas que o Governo de Madagáscar está a promover.

“A OMS trabalha há muitos anos com o setor da medicina tradicional em África. Trabalhamos muito para facilitar a colaboração e para incorporar a medicina tradicional nos sistemas nacionais de saúde”, disse.

E assegurou: “Qualquer medicamento, incluindo esse chá de Madagáscar, terá de ter os seus efeitos cientificamente testados e é isso que estamos a encorajar”.

“Quando celebrarmos a eficácia deste medicamento, ou outro, será com base nos resultados obtidos em ensaios clínicos”, disse.

Para já, Matshidiso Moeti sublinhou que não há ainda qualquer sinal de evidência do produto.

Em África, há 2.475 mortos confirmados, com quase 72 mil infetados em 53 países, segundo as estatísticas mais recentes sobre a pandemia naquele continente.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 297 mil mortos e infetou mais de 4,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,5 milhões de doentes foram considerados curados.

Por Lusa

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