COVID-19: Ministério da Saúde manda realizar 880 testes aleatórios em Santiago, São Vicente e Boa Vista

12/05/2020 17:05 - Modificado em 12/05/2020 17:21

Paul Romer, Nobel de Economia, ex-economista-chefe do Banco Mundial, numa entrevista ao ElPais considera que “A única forma de recuperar a economia é controlando o vírus”. Mas a questão que se coloca é saber quando o vírus está controlado. Isto mediante os casos que estão a surgir em países como a Alemanha, China e Correia do Sul, em fase adiantada de desconfinamento.

Paul Romer deixa a receita “investir em testes e isolar pessoas infetadas são as estratégias mais viáveis contra a pandemia a médio prazo”. Romer que esta a trabalhar num plano para reabrir a economia dos EUA explica a arquitetura desse plano. “A base do plano é que devemos usar testes e isolamento. Aplicar exames a todo mundo e isolar as pessoas portadoras do vírus. Se fizermos isso, poderemos controlar a pandemia e restaurar a confiança na recuperação económica. Porque somente isolando a pequena parcela de pessoas que estão infetadas poderemos voltar à normalidade. Sem dúvida, a vantagem é que as demais pessoas continuarão trabalhando e seguindo com suas vidas.”

De certa forma o plano das autoridades sanitárias de Cabo Verde tem alguma semelhança no que toca ao isolamento dos infetados. Pois, como se sabe todas as pessoas que testam positivo, independentemente dos sintomas apresentados, são colocados em isolamento e os contactos colocados em quarentena. A grande diferença é que em Cabo Verde não se optou pelos testes “a todo mundo”, como defende Romer, mas apenas aos casos suspeitos e muitas vezes nem isso, como aconteceu na Boa Vista aos segundos turnos que não estavam nos hotéis quando estes foram encerrados. Também os trabalhadores do Riu Palace foram enviados para casa sem testes. E a revolta do Karamboa tem como base a exigência de testes. E muitos especialistas defendem que os números baixos de contaminação apresentados em África podem estar relacionados com a realização de poucos testes.

O mesmo se pode aplicar a São Vicente, onde apenas foi testado o “universo próximo da paciente chinesa”. Neste aspecto, tendo por base a receita do prémio Nobel da Economia, Cabo Verde  isolou todos os que sabia que estavam infetados, mas poderiam haver muitos mais que tiveram contacto com o vírus e não foram testados.

Só agora o Ministério da Saúde mudou de estratégia, optando pelos testes em massa. O NN  sabe que, no âmbito do estudo de prevalência, está previsto para Praia e outros concelhos de Santiago, assim como para as ilhas da Boavista e São Vicente, testes onde as pessoas são apanhadas aleatoriamente. As pessoas que tiveram a infeção ou foi contacto de pessoa infetada é excluída. Trata-se de saber o grau da presença do vírus na sociedade.  Em Santiago serão realizados 530 testes, na Boa Vista serão 250 e em São Vicente, 100.

Técnicos contactos pelo NN, e que pedem o anonimato, concordam com essa medida, apenas lamentam “que tenha chegado tarde”. Mas, com o testes aleatórios junto da população é possível  saber “por onde o vírus andou  e se circula onde nunca houve casos suspeitos”.  Este estudo pode esclarecer várias dúvidas sobre a propagação da doença em Cabo Verde. Resta esperar  pela conclusão do estudo e saber se o MS passa para a estratégia:  “testar, isolar, como forma de controlar o vírus”.

ES

  1. Maria

    Muita desinformação no texto.

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