Prorrogação do EE em Santiago e Boa Vista: Medo, palpites e dualidade

10/05/2020 23:56 - Modificado em 11/05/2020 00:02
Foto: Inforpress

O Presidente da República, Jorge Carlos Fonseca, anunciou que vai avaliar na terça-feira com o Governo, autoridades e técnicos a situação de execução do estado de emergência nas ilhas de Santiago e da Boa Vista.

Num artigo anterior, depois de caraterizar a situação epidemiológica no país com  factos tornados públicos  e nunca desmentidos pela autoridade sanitária, questionávamos se essa caracterização do Ministério da Saúde se  baseava em palpites ou dados científicos. Temos insistido desde o início   em explicações científicas ou na humildade de se reconhecer que não sabe.

Num artigo publicado hoje neste online a Dra. Odete Pinheiro , Médica e antiga Assistente da Faculdade de Medicina de Coimbra, condecorada pelo Presidente da República, a quem se reconhece expertise nessas matérias, veio questionar a ausência de critérios científicos por parte da Direção Nacional da Saúde na abordagem da pandemia de COVID-19, afirmando “O importante e que preocupa, é que os que estabelecem os critérios não se importem com a falta de uniformidade, não reconheçam a ausência de rigor científico e a falácia das respostas dadas quando inquiridos. Se não mostrarmos um raciocínio lógico e consistente nas coisas pequenas, que garantias podemos dar de o fazer nas coisas grandes? Os princípios científicos e o rigor intelectual são para ser aplicados em tudo que diz respeito à ciência, para não dizer à vida.”

Dito isto, volto a perguntar: foram estes palpites que deram ao Presidente da República para este dispor de elementos para caracterizar a situação epidemiológica em São Vicente? Para  decidir sobre a continuação ou não do Estado de Emergência ou forneceram informação científica e técnica que não é do conhecimento público? Continuam a ser as informações fornecidas pela DNS, onde no mínimo, se contesta o rigor científico, que vão servir de base para determinar se Santiago e a Boavista devem continuar em Estado de Emergência tendo em conta a situação epidemiológica?

Sabe-se que o PR para prorrogar o EE usou sempre o critério de: tem ou não tem casos positivos. São Vicente, com apenas um caso, em 17 Abril viu o EE ser prorrogado até 2 de Maio, as ilhas sem casos confirmados, até 26 de Abril.  A 2 Maio levanta o EE em São Vicente, agora com três nas contas de adoecer e recuperar do DNS. Muitas vozes questionaram, pediram que fossem apresentados os critérios científicos que sustentavam essas decisões. As dúvidas, que não sabíamos explicar, foram agora explicadas pela Dra. Odete Pinheiro nesta frase “Qualquer pessoa que minimamente tenha feito investigação científica sabe que em qualquer estudo, avaliação ou contagem, os critérios usados para os diversos conjuntos devem ser rigorosamente uniformes para que os resultados possam ser comparados. É um princípio básico. Questões epidemiológicas não são exceção.”

Quais os critérios que o PR tem para decidir sobre a prorrogação do Estado de Emergência em Santiago e na Boavista? O critério aplicado a São Vicente: enquanto houver  um único caso  de COVID-19?  Se for assim a Praia, em particular, devido ao número de casos, arrisca-se a continuar por muito tempo em Estado de Emergência. Se for por outro caminho arrisca-se, justamente, a ser acusado de dualidade de critérios. A não ser que apresente critérios assentes no rigor científico para justificar a decisão que venha a tomar.

Eu tenho o PR como um homem justo e equilibrado. O meu medo é que fundamente as suas decisões nos palpites, dualidade de critérios e falta de rigor científico das posições assumidas pela Direção Nacional de Saúde, pelo menos nas conferências de imprensa.

Eduino Santos

  1. Oscar

    Ai ai ai
    Se até o presidente da Camara da Praia ja veio ontem com a dualidade de critérios, note-se que ele disse no último EE que Praia devia continuar em confinamento até que terminem os casos.
    Agora como supostamente a Camara está sem dinheiro, diz que Praia deve continuar sair do estado de emergencia.
    Aceitando esse critério, não seria outra dualidade de critério: não sair do EE porque haviam muitas familias sem dinheiro para comprar o pão de cada dia e agora ter que sair porque a Camara não tem dinheiro???
    E esta ein

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