Em São Vicente alguns pais sem alternativas para deixar os filhos durante o horário laboral

8/05/2020 00:12 - Modificado em 8/05/2020 00:12

O anúncio do término do ano lectivo por parte do executivo, devido a pandemia da covid-19 que assola o mundo e Cabo Verde não foge à regra pois já regista mais de duzentos casos de infectados pela doença, merece a aprovação dos pais e encarregados de educação de São Vicente, mas que deparam agora com o desafio de onde deixar os filhos durante os seus horários laborais e como acompanhar as áudio e vídeo-aulas.

Ouvidos pelo Notícias do Norte, esses pais não têm dúvidas em afirmar que se trata de uma “boa medida sanitária” no combate a covid-19, mas expõe as famílias a passar por desafios inesperados, onde deixar os filhos, principalmente os mais novos, nos horários de trabalho e como fazer para ajudá-los no acompanhamento das áudio e vídeo-aulas.

“Totalmente de acordo com esta medida do Governo, porque a segurança de todos é prioritária neste momento que estamos vivendo uma pandemia desta natureza, que já causou a morte de duas pessoas no país e muitos infectados. O maior problema é onde deixar o meu filho de 6 anos, porque eu e a sua mãe trabalhamos no mesmo período e não conseguimos estar em casa para acompanha-lo e nisso temos de deixa-lo na casa da sua avó que é analfabética” assegura João Lopes, garantindo com isso que é um grande problema para o acompanhamento das áudio e vídeo-aulas.

A mesma opinião é partilhada por Maria Amélia, que diz que o Governo não poderia ter tomado uma melhor decisão em colocar um ponto final nas aulas presencias deste ano lectivo, mas que a problema maior está onde deixar o seu filho. “É um pouco preocupante para nós que somos pais que têm crianças menores e que temos de ir  trabalhar. No meu caso tenho uma criança de creche e um da Escola Primária e tenho que deixa-los com os avós para poder trabalhar, mas não têm como auxilia-los nestas aulas transmitidas pela TCV e RCV” diz esta nossa entrevistada.

Júlia Fortes é outra mãe que está convencida de que esta decisão tomada pelo Governo foi a mais acertada, visando impedir a exposição das crianças a esta pandemia da covid-19, e também por serem um dos maiores veículos de propagação do vírus. “No meu caso é complicado porque vivo sozinha com o meu filho de 11 anos e ele precisa de toda a atenção para estar atento no acompanhamento das matérias na televisão. Tenho que trabalhar e ele tem de ficar sozinho em casa e a minha rotina não permite estar a seu lado para auxilia-lo no momento dessas aulas e também não estamos instruídos suficientemente para ensinar os nossos filhos desta forma” realça esta encarregada de educação.

Os mesmos dizem-se esperançosos que o Ministério da Educação tenha algum plano em como ajudar estes pais que não conseguem acompanhar os filhos nestas aulas e também sobre as matérias que não vão ser leccionadas neste ano lectivo.

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