Boavista: Quem detonou a “bomba” biológica no Hotel Riu Karamboa?

15/04/2020 16:43 - Modificado em 15/04/2020 16:43

Depois da confirmação de mais 45 casos de COVID-19 entre os trabalhadores que estiveram de quarentena no Hotel Riu Karamboa tem-se que perguntar: Quem detonou a “bomba” biológica no Hotel Riu Karamboa que pode atingir toda a Boavista? Vamos à análise, com base nos factos já comprovados e comprováveis. E começámos pelo fim: Quem autorizou os trabalhadores em quarentena a irem para casa no domingo?

No domingo , 12 , os funcionários em quarentena  revoltam-se e exigem  ir para casa. Alegam que o que estava decidido, e que foi informado aos trabalhadores,  ia no sentido que quem quisesse podia fazer os testes e quem não quisesse podia se submeter à triagem. Apenas 18 trabalhadores aceitaram fazer os testes e no domingo  iria se iniciar o processo de triagem como aconteceu no Hotel Riu Palace. Mas, de sábado para  domingo as autoridades sanitárias mudaram de posição e agora “todos terão que se submeter ao teste antes de saírem do isolamento”, impedindo a saída dos trabalhadores. Isso foi comunicado por um oficial da Forças Armadas  e a Polícia de Intervenção barrou a saída.

Esta posição foi sempre defendida ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, que afirmou no dia 30 de Março que os trabalhadores, passamos a citar, “vão seguir as indicações e daqui a uma semana”, o que seria no dia 07, “vão ser realizados testes para todo o pessoal que está lá dentro. E em função do resultado poderá haver outras soluções em termos de saída”. O certo é que no domingo esta decisão foi anulada e permitiu-se a saída dos trabalhadores após a recolha de amostras e sem saber os resultados.

O que levou à mudança do plano inicial  que tinha mantido o controlo da situação? No domingo de manhã, o NN tinha uma informação que “havia mais dois casos positivos entre os trabalhadores, “não publicamos porque não conseguimos a confirmação por mais de três fontes . Mas, na segunda-feira esses dois casos  foram confirmados . E fica a pergunta: No domingo, quando foi dada a ordem de saída, as autoridades sanitárias, o ministro já sabiam dos dois casos que vieram a confirmar-se na segunda-feira? Então qual a explicação para deixar os trabalhadores saírem sem se conhecer os resultados dos testes?

O Diretor Nacional de Saúde, nessa conferência justificou “este domingo completou-se na Boa Vista a saída de quarentena das 207 pessoas que estavam confinadas depois submetidas a testes, todos aguardam os resultados em confinamento domiciliário”. Adiantou que todos estavam sem sintomas do Covid 19 e que até a saída dos resultados iriam estar em “confinamento rigoroso em casa”, de forma a controlar e cercar um possível alastramento do vírus. E mostrando pouco jeito para profeta, profetizou: “o foco fundamental continua a ser correr atrás do diagnóstico precocemente e isolar eventuais casos suspeitos e positivos, de forma a evitar outros males”.  Só que com a medida de mandar para casa os funcionários sem saber quem estava infetado ou não,  surgiram mais  45 casos que  já tiveram contacto com as famílias,  e  agora vai ter que correr  atrás do foco por toda a Boavista, a começar pelo  Bairro Boa  Esperanç , ondem residem cerca de 95 % das pessoas que saíram do hotel, em vez  controlar os  casos num espaço apropriada para o isolamento, como vinha acontecendo até agora.

A manifestação do dia 4 soltou o detonador da “bomba biológica“?

Mas o conto vai atrás . Até o dia  4  de Abril, quando o Governo,  e hoje está confirmado que agiu corretamente , mandou alargar o tempo de quarentena,  quando no dia 28  surgiu o primeiro caso entre os trabalhadores. Um técnico de manutenção que testou positivo. Nesse dia o governo começou a perder o controlo da situação  quando os funcionários, em pleno estado de emergência,  violaram várias normas  saindo dos quartos. E depois manifestando-se pela realização dos testes. Técnicos de saúde como quem o NN falou  disseram  que o vírus pode ter começado a propagar-se  com mais rapidez  nessa situação.

Num vídeo publicado na rede pode-se ver , nesse dia , a aflição de uma técnica de saúde a pedir às pessoas para voltarem para os quartos  e para manterem a distância. Ela acaba por desistir e ir embora . E o COVID-19  que não anda sozinho, mas de pessoa para pessoa, viu-se num ambiente propício. A nova revolta  aconteceu no domingo, onde as pessoas voltaram  a abandonar os quartos e a juntarem-se, do jeito que o vírus gosta .

A bomba biológica começou a ser detonada no dia 19 Marco?

Mas esses técnicos  ouvidos pelo NN, mediante os factos que lhes apresentamos, consideram  que a contaminação pode ter começado  no dia 19. Não se pode  dizer, a não ser por palpite,  que quando os trabalhadores iniciaram a quarentena  apenas o técnico de manutenção foi infetado. Ou que não havia assintomáticos que depois vieram a transmitir o vírus . Aqui o que se questiona, e foi várias vezes questionado neste online: porque as autoridades sanitárias não optaram por fazer teste a todos e, em vez disso, optaram para testar apenas e só quem viesse a apresentar sintomas ?

Mas o modelo de confinamento escolhido , no início , com três e duas pessoas no mesmo  quarto e a utilização de espaços comuns  para as refeições,  e não o modelo adotado na quarentena das pessoas que regressaram ao pais, pode ter sido a auto-estrada onde o COVID-19 começou a circular no hotel Riu Karamboa, evitando o milagre que todos estávamos à espera: poucos casos  de contaminação, mas acabando como mitos das redes sociais que o vírus não se transmite em países quentes, ou outras baboseiras  como  se está  a verificar na Boa Vista. A lição que fica é clara : O COVID-19 se tiver as condições propícias espalha-se rapidamente. Em Cabo Verde ou na China.

Eduino Santos

  1. Paulo M.

    Excelente artigo e a resposta ao título do artigo é óbvio: o Governo é quem detonou a bomba biológica, porque sempre soube-se o que iria acontecer, a partir do dia 19 de Março, quando surgiu o primeiro caso. Ter enviado o pessoal para casa, após fazerem os testes, foi só mais um amadorismo do Gov, diante de todos os outros. Desde o início que o Gov geriu mal o processo na BV, em relação ao modelo de confinamento. Aliás, têm optado é por ameaçar o povo. Há muitos hóteis na BV, pelo que, poder-se-ia distribuir o pessoal, por 2 ou 3 hotéis. Ou, querendo mante-los no mesmo hotél, deveria ser por alas. Medidas, como testes deveriam ter sido feitas. “Estrangeiros” de outras ilhas deveriam ser enviados de imediato para as ilhas de origem, para quarentena obrigatória na ilha de origem. Esse somatório de irresponsabilidades acaba por explodir hoje, com esse aumento exponencial, mas que não pegou ninguém de surpresa. Gostaria que um milagre acontecesse, mas infelizmente, os números ainda vão aumentar. Se houvesse atitude do Gov, após a 1ª quarentena, muitas ilhas poderiam não ter necessidade de submeter a uma 2ª quarentena. Mas com tanta irresponsabilidade provavelmente todos pagarão o preço. E a economia, já frágil, também. Que venha a 2ª quarentena (e quem sabe a 3ª quarentena).

  2. rac

    P q não fizeram o teste a todos os funcionários Confinados no Hotel Riu K no dia 28 março ,qdo deu positivo o primeiro deles ? O percurso dos factos leva a dar a razão aos funcionários a exigirem a realização do teste , o perigo de contagio de latente no dia 19 , passou a real no dia 28 . Sobre a acusação do PM UCS contra os funcionários de ” “fazer motim e’ incitar aos outros ” a desrespeitar o Confinamento , nota-se que ele não estava no lugar deles : isolados, com perigo de contagio real e sem ter feito o teste . A reacção deles ,a dos funcionários e’ a esperada em situação de incerteza ,a mm razão pelo q o Gov /MS colocou a disposição da população Psicólogos. O Se MS falo a pós pergunta dos jornalistas ,mas não respondeu .

  3. Todo o “criole” anseia e comunga da necessidade de todos sairmos o mais rapidamente possivel desta situaçáo que ao fim e ao cabo,nos atropela a todos de forma impiedosa. Muita gente cumpre rigorosamente todas as indicações, porque tèm familia e amigos e pensam que mais vale aguardar 20 ou 30 dias saudaveis EM CASA do que aguardar, 20 ou 30 dias confinado num Hospital, longe da familia e amigos. Todos nós, nao podemos ficar indiferentes ao comportamento dos prevaricadores que de forma deliberada, esquecem dos familiares e amigos e querem servir de veiculo para a propagaçáo deste virus. Cada um que faça o melhor do seu melhor. Da mesma forma a outras pessoas e entidades que tèm a responsabilidadeS na tomada de decisoe,s no nome de nós todos e quando alguma coisa falha, assobiar/piscar para o lado como se nada tivesse acontecido, so nos leva a situações que nao beneficiam os nossos anseios. Afinal nem todos somos AVESTRUZES! Ou, “quem náo sente, não é filho de boa gente!”

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