Caso Covid-19 em São Vicente: paciente esteve internada na enfermaria de Medicina no “quartinho”

5/04/2020 01:44 - Modificado em 5/04/2020 02:11

O primeiro caso de contágio na ilha de São Vicente, a cidadã de nacionalidade chinesa, residente há 5 anos na ilha, apresentou os primeiros sintomas no dia 18 de março. Perante os sintomas que apresentava recoreu aos serviços de uma clínica privada, mais concretamente a Medicentro, onde foi-lhe diagnosticado uma pneumonia.

Na nossa investigação não foi possível apurar o dia certo em que ela se dirigiu a essa unidade de saúde pela primeira vez. Apenas na segunda vez, altura em que foi encaminhada, no dia 27 de março, para os Serviços de Urgência do Hospital Batista de Sousa (HBS).

No HBS “o procedimento seguido foi igual como se fosse um caso confirmado de COVID-19. Por isso a garantia que o risco de transmissão no Hospital é reduzido”, alegou  o ministro da saúde, Arlindo o Rosário.

Mas, o NN apurou que no HBS, a paciente diagnosticada na Clínica Medicentro com uma pneumonia, deu entrada no HBS através do Banco de Urgência e ficou internada na enfermaria do sector de Medicina. A paciente foi colocada num local que é conhecido por “quartinho”. Ou seja: um quarto dentro da enfermaria de Medicina, que não é fechado até ao teto e nem porta tem, mas sim uma cortina.

É este o procedimento para casos suspeitos de COVID-19? Se é fica a pergunta: os outros doentes na enfermeira não correram riscos de contágio?  As visitas que estiveram na enfermaria, mesmo as que não entraram no quartinho, não correram riscos de contágio? Numa enfermaria onde está um caso suspeito de COVID-19 são permitidas visitas? Quanto aos profissionais do HBS  que tiveram contacto com a paciente estão todos em quarentena no Centro de Estágio do Mindelo? E as outras pessoas que estiveram na enfermaria separada por uma cortina na porta do quartinho?

Na  clínica o procedimento foi como se tratasse de uma infeção pulmonar normal, quando a paciente deu entrada, após ter começado a ter sintomas respiratórios com calafrios, dores no corpo e tosse. Terá começado a sentir os sintomas antes do dia 18 de Março e auto medicou-se em casa durante alguns dias, mas como não se sentiu melhor procurou atendimento na referida clínica privada, onde foi diagnosticada com pneumonia e foi medicada e colocada em tratamento domiciliar. Porque não foram adotados os protocolos de notificação sanitária como caso suspeito de infeção do novo coronavírus e tomadas as medidas de isolamento obrigatório?

Conforme apuramos na nossa investigação, ela foi submetida ao questionário que o Hospital Baptista de Sousa e a Delegacia de Saúde mandam fazer e este deu negativo.  Mas, a realidade e o teste mostram  que é um caso positivo de COVID-19 que foi tratado como uma infeção pulmonar normal e que esse questionário não serve para apurar casos de COVID-19. Pois, tiveram um na sua presença e deixaram passar, com todas as consequências que dai podem adevir.

Na primeira vez que esteve na clínica submeteu-se ao questionário e deu negativo. Foi diagnosticada e mandada para casa. No entanto retornou à clínica e pelo seu estado de saúde, foi encaminhada para o HBS, tendo sido considerada como caso suspeito. Portanto de 18 a 27  de março a paciente, que apresentava sintomas de coronavírus esteve em casa como se fosse uma pneumonia. São nove dias para a investigação epidemiológica saber onde esteve, com quem esteve, o que fez . E nove dias com o vírus, sem o saber, pode ter tido consequências que agora não se conseguem determinar. O que se sabe é por conta disso cerca de 40 pessoas já estão em quarentena. E há outros candidatos.

Na referida clínica, na primeira vez que a paciente esteve no local, nenhuma das pessoas que realizaram o atendimento da paciente usaram equipamento de proteção individual, como máscaras e luvas para evitar contágio.

  1. Flávio Neves

    Com tanta informação a circular, nós deparamos com isto, desculpem, mas classifico de irresponsabilidade. A própria paciente já sabia de certeza que com esses sintomas não deveria deslocar-se ao hospital, teria de ligar para a linha verde. Na clínica privada, teriam de desconfiar, prevenir e agir em conformidade. Há quem possa até entender que alguém a agir assim, tem vontade de propagar o vírus. É a minha humilde opinião.

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