Ajuda externa a Cabo Verde aumentou mais de 10% em 2019 e chegou a 57 ME

20/03/2020 14:21 - Modificado em 20/03/2020 14:21

A ajuda externa recebida por Cabo Verde aumentou 10,2% em 2019, face ao ano anterior, ultrapassando os 6.348 milhões de escudos (57 milhões de euros), essencialmente de donativos em moeda estrangeira e ajuda orçamental.

Segundo dados compilados hoje pela Lusa com base no relatório estatístico de 2019 do Banco de Cabo Verde, este registo compara com os quase 5.757 milhões de escudos (51,8 milhões de euros) que o país recebeu, em ajuda externa, em 2018, representando nesse ano uma quebra homóloga de 21,8%.

De acordo com o mesmo relatório, a ajuda externa recebida por Cabo Verde foi essencialmente em divisas, quase 3.340 milhões de escudos (30 milhões de euros), e em ajuda orçamental, no valor de 2.005 milhões de escudos (18 milhões de euros).

A sofrer os efeitos da seca há três anos, o arquipélago recebeu ainda 333 milhões de escudos em alimentos (três milhões de euros). Em 2018, Cabo Verde não recebeu ajuda externa na forma de alimentos e em 2017 esse valor foi de apenas 171 milhões de escudos (1,5 milhões de euros).

A ajuda externa a Cabo Verde atingiu em 2018 os 5.644 milhões de escudos (51 milhões de euros).

O relatório do Banco de Cabo Verde não refere quais são os países doadores.

Um estudo apresentado no final de julho, na cidade da Praia, concluiu que Cabo Verde perdeu subvenções internacionais e tem vindo a aumentar a sua dívida pública após graduar-se país de rendimento médio, em 2008.

O estudo foi apresentado pelo especialista português para o desenvolvimento Jorge Moreira da Silva, durante uma reunião dos Pontos Focais dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS).

O investigador, antigo ministro do Ambiente de Portugal e atual diretor-geral de Desenvolvimento e Cooperação da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) começou por recordar que Cabo Verde graduou-se em país de rendimento médio numa altura em que decorria uma crise financeira global, o que afetou muitos países parceiros do arquipélago africano.

Com a graduação, segundo Jorge Moreira da Silva, aconteceu uma alteração muito significativa da relação dos doadores, em que não houve mudança do volume financeiro da ajuda ao país, mas transformou a natureza dessa ajuda, com menos subsídios, mais empréstimos e mais investimento privado.

Além disso, o estudo concluiu que com a transição de País Menos Avançado para País de Desenvolvimento Médio houve um sobre-endividamento, já que Cabo Verde perdeu acesso a algumas subvenções internacionais, passando a estar dependente de empréstimos.

Outra consequência da graduação foi uma alteração da composição de parcerias, com alguns “doadores tradicionais a afastarem-se gradualmente” do apoio a Cabo Verde, e novos doadores, como a China, com maior presença.

Por Lusa

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