Taxistas de São Vicente alertam para impacto negativo e ponderam suspender trabalhos

20/03/2020 13:10 - Modificado em 20/03/2020 13:10
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Os taxistas de São Vicente manifestam estar de acordo com às medidas de prevenção ao Covid-19 anunciadas pelo Governo, mas alertam para os impactos negativos que financeiramente irão afectar toda a classe. Para já o cenário poderá exigir mesmo a suspensão de muitos postos de trabalho, por tempo indeterminado.

Em entrevista ao Notícias do Norte, alguns taxistas avançaram que entendem as medidas até agora tomadas pelo Governo, porque a prevenção é necessária, sobretudo de uma doença que a nível mundial está a causar sérios problemas em todos os sectores, mas que o impacto para eles será certamente “complicado”.

“Neste momento o trabalho está escasso, porque dependemos muito dos fretes dos nossos emigrantes e turistas. Pelo facto de muitos de nós trabalharmos directamente com os aeroportos, fomos forçados a trabalhar aqui dentro da cidade, o que leva a uma grande sobreposição de oferta do serviço de táxis, o que dificulta imenso no trabalho diário, pois somente as pessoas residentes não conseguem garantir-nos um dia de trabalho como aquele que já estávamos habituados” realça Hernany Lopes.

O mesmo diz-se preocupado no caso de vier a ser despedido por não haver trabalho. É o único que trabalha para o sustento da família. Em caso de despedimento será muito complicado.

Para o proprietário e taxista Carlos Sousa, que trabalha no ramo há mais de 20 anos, o Governo tem agido bem na tomada de medidas, mas os que trabalham no sector estão preocupados, pois são dos mais vulneráveis no caso de haver pessoas infectadas na ilha.

“Somos uma classe vulnerável porque não sabemos quem é que estamos a transportar e se houver pessoas infectadas seremos alvos fáceis. Fazemos isso porque é o nosso trabalho, mas a verdade é que a cada dia a situação está ficando mais preocupante” frisa.

No entanto, vinca que esta é a primeira vez que vê as ruas do Mindelo praticamente vazias e, não tendo voos internacionais de e para São Vicente, a situação complica-se a cada dia que passa. “Se não há voos internacionais todos os taxistas ficam aqui na cidade e estamos falando de cerca de 200 táxis e ainda outros transportes colectivos. Estamos numa situação muito difícil e já penso em para de trabalhar” esclarece.

O mesmo acrescenta estar esperançoso que o Governo venha a tomar medidas que possam apoiar os trabalhadores do setor.

Por sua vez, o taxista Jorge é da mesma opinião dos colegas sobre as medidas tomadas pelo Governo, mas vincando que já está a sentir as consequências desta pandemia que levou ao encerramento das fronteiras. “O mais importante é estares com vida e saúde, para ires lutando todos os dias da forma que der. Se for para ficar em casa ficarei, mas se for para trabalhar estarei disponível” ressalva, dizendo-se esperançoso que esta situação venha a melhorar com o tempo.

Como medida de prevenção ao Covid-19, o Governo declarou situação de contingência a nível da protecção civil em Cabo Verde e anunciou a interdição, a partir de quarta-feira 18, e durante três semanas, das ligações aéreas com Portugal, Estados Unidos da América (EUA), Senegal, Brasil e Nigéria.

Da mesma forma, a Cabo Verde Airlines já suspendeu e por um período de 30 dias, todas as suas actividades de transporte.

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