“Rei da máfia russa” morto a tiro no centro de Moscovo

18/01/2013 00:02 - Modificado em 18/01/2013 00:02

Um dos mais poderosos chefes da máfia russa foi morto por um franco-atirador, em plena luz do dia, no centro de Moscovo. O assassínio faz temer o regresso às sangrentas guerras entre grupos criminosos que assombraram Moscovo na década de 1990 após o desmoronamento da União Soviética.

 

Aslan Usoian, de 75 anos, conhecido no submundo do crime como “avô Hasan”, foi atingido na cabeça quando saía de um restaurante, ao início da tarde de quarta-feira. Ainda foi levado para um hospital da capital, mas o óbito foi declarado pouco depois. Os disparos foram efectuados da escadaria de um prédio vizinho, onde a polícia encontrou seis cartuchos de bala, o que a leva a suspeitar que o atirador usou uma espingarda com mira telescópica para atingir o alvo.

 

Uma mulher – que segundo algumas testemunhas seria acompanhante de Usoian, mas que a polícia identificou como uma transeunte – foi atingida por dois projécteis e está hospitalizada em estado grave.

 

Usoian, a quem a imprensa se refere como o “rei da máfia russa”, estava há vários anos em guerra com a organização liderada por Tariel Oniani (Taro). Ambos são oriundos da Geórgia, onde se iniciaram no mundo do crime, mas disputavam agora o controlo de território e de negócios, que se estendem do contrabando de droga e armas, a casinos ilegais e extracção de minério, noticiou o El País. Em 2010, Usoian sobreviveu a uma tentativa de assassinato que terá sido ordenada por Oniani, a cumprir desde 2009 uma pena de dez anos de prisão por sequestro

 

Vários membros das duas organizações morreram já nesta guerra, na qual tombou também Viacheslav Ivankov, mais conhecido como “Pequeno Japonês”, líder mafioso que se teria aliado a Usoian e que foi também assassinado por um sniper, em 2009.

 

O jornal Moscow Times recorda que Ivankov e os dois georgianos estavam entre os últimos representantes dos “ladrões na lei”, organização nascida nas prisões soviéticas que juntava condenados por crime organizado e que era regida por “códigos de honra” idênticos aos seguidos pelas máfias de vários países. Com a queda da URSS, os seus negócios prosperaram até tomarem proporções inéditas, levando os vários gangs a disputarem o controlo de cada negócio e cada pedaço de território à força de balas. Durante a era de Boris Ieltsin, os ajustes de contas faziam-se em plena luz do dia, com assassínios a sangue-frio nas ruas da capital, tiroteios em cafés e atentados à bomba.

 

Mark Galeotti, professor da Universidade de Nova Iorque e especialista na máfia russa, prevê que a morte de Usoian reacenda a violência. “A minha suspeita é que vamos ver de novo sangue nas ruas. [O assassínio] vai gerar violência porque um novo líder terá de afirmar o seu poder e outros grupos vão tentar conquistar algum do poder de Usoian”, disse ao jornal britânico Guardian.

 

O regresso em força do crime organizado seria um revés para o Presidente russo, Vladimir Putin, que desde a sua chegada ao Kremlin apostou em reafirmar o poder do Estado. Os críticos acusam-no de não ter combatido como deveria o crime organizado, mas a violência nas ruas foi contida. Irina Iarovaia, chefe do Comité de Segurança da Duma (câmara baixa do Parlamento) garantiu que o caos da década de 1990 não regressará: “Temos hoje um país diferente, com leis diferentes e uma ordem diferente”, disse a deputada à agência Interfax.

 

Mas Galeotti sublinha que o submundo da máfia russa representa hoje uma ameaça maior “do que há cinco anos”. “Não é como nos anos 90, mas sobretudo por causa da entrada da heroína vinda do Afeganistão e as oportunidades criadas pelos Jogos Olímpicos de Sochi”, explicou o especialista, referindo-se à bolha imobiliária naquela cidade do mar Negro, que em 2014 recebe os Jogos de Inverno.

 

 

 

jn.pt

  1. Dionisio Moreno

    foi bom por um lado,visto que um dos grandes sucumbiu se,o que seguramente vai enfraquecer o negócio. Por outro,novo lider irá firmar. É necessário que se tome medidas preventivas no sentido de impedir que o negócio se faça. O patrão foi morto a tiro.trata de um ser humano, cujo vida é sagrada depara se que o direito fundamental das pessoas vêm se decaindo aos poucos, é necessário que se valorize, que se proteja a vida humana, de igual mode que se evite a propagação da droga.

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