Trabalhadores enfrentam a morte para obter o ganha-pão

17/01/2013 23:37 - Modificado em 17/01/2013 23:37
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No Lazareto, ilha de São Vicente, já morreram oito pessoas soterradas durante a extracção de areia. Mas apesar dessas perdas humanas, os homens que trabalham nessa actividade continuam a ignorar o perigo porque esse é o seu ganha-pão para sustentarem os filhos. De realçar que há anos que os trabalhadores pedem a intervenção das autoridades para que possam trabalhar em segurança.

 

Nesta quinta-feira, por volta das sete horas, a derrocada de uma duna no local onde se extrai areia no Lazareto soterrou um camião. A viatura estava a carregar esse material e o pior só não aconteceu porque não havia trabalhadores em serviço no local e o condutor não estava no interior do camião quando ocorreu o acidente.

Apesar de haver apenas danos materiais, o caso acabou por trazer de novo à praça pública a discussão sobre a segurança das pessoas que labutam na extracção de inertes na ilha de São Vicente e, por outro lado, a recordação de oito cidadãos que perderam a vida quando extraíam areia no Lazareto.

A perda de vidas humanas durante a extracção tem provocado dor no seio de várias famílias e revolta na classe que se dedica a essa actividade. Porque as autoridades assobiam para o lado enquanto motoristas e ajudantes continuam a desafiar a morte para conseguir dinheiro que dê para sustentar os filhos.

Contactado pelo NN, alguns cidadãos que se dedicam à apanha de areia mostraram-se indignados com a passividade das autoridades por não criarem condições que lhes permita trabalhar em segurança e que as mesmas só dão a cara quando ocorre alguma tragédia no local.

“Esta actividade tem as suas contrariedades, mas é o ganha-pão de muitos homens. Mas as autoridades podiam fazer alguma coisa para evitar perdas de vidas humanas. Isto é, não é só esperar quando haja uma tragédia para virem ver. Deviam derrubar todas as dunas que estão em perigo de derrocada e assim trabalhávamos em segurança” declara João Correia.

Por seu lado, o ajudante de camião, Gilberto Tavares partilha da opinião de João e assegura que “as autoridades chegam ao local, prometem melhorias, mas a situação continua na mesma. Mas também há empresas que têm a sua parte de culpa, porque os maquinistas fazem labirintos e quem chega para trabalhar com picareta e pá fica exposto ao perigo”.

Arcelino Ferreira refere que a CMSV e algumas empresas já colaboraram na limpeza das dunas que apresentavam sinais de derrocada. Mas, o entrevistado assegura que chegou a hora das pessoas e das autoridades reflectirem sobre esta situação que tem deixado marcas nalgumas famílias que não se apagam com o passar do tempo.

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