Hunter Moore publicava “pornografia vingativa” mas desistiu

29/04/2012 18:22 - Modificado em 29/04/2012 18:22
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O americano Hunter Moore era um dos homens mais odiados da Internet. Estava a ficar rico à conta da vergonha pública dos outros, depois de ter criado um site onde os utilizadores podiam publicar fotografias em que os seus ex-namorados apareciam todos nus. Apesar de sempre ter dito que não estava minimamente preocupado com o drama que isso representava para os visados, o caso deu uma reviravolta há poucos dias depois de Moore ter desistido do site e o ter vendido a uma organização anti bullying.

No site IsAnyoneUp.com via-se um pouco de tudo, mas a base era sempre a mesma: pessoas nuas (ou quase). Moore incentivava os utilizadores a publicarem aqui fotografias de antigos namorados e namoradas, identificadas pelo nome completo e actual localização, bem como de um breve resumo de porque é que mereciam figurar na página, em jeito devendetta digital após o fim da relação. Uma espécie de “pornografia vingativa”, como era apelidada por alguns sites.

Muitas vezes estas fotos eram redireccionadas para os perfis de Facebook e de Twitter dos visados, o que potenciava o efeito de assédio e de exposição.

Milhares de pessoas foram visadas durante mais de um ano. Lucy (nome fictício), de 22 anos, era uma dessas pessoas. Descrevendo o seu calvário à BBC, a jovem explicou que uma série de fotografias explícitas que ela tinha enviado ao seu ex-namorado foram publicadas online e associadas à sua conta de Twitter. De um momento para o outro estas fotos ficaram ao alcance de amigos, familiares e do actual namorado, tornando a sua vida muito difícil.

Lucy alega ter ido à polícia queixar-se, tendo aí sido informada que as forças policiais não poderiam fazer nada e que ela teria de contactar directamente o site.

Nos EUA, o site também passou ao largo das autoridades, sobretudo porque o material aí colocado era gerado pelos próprios utilizadores. A BBC indica que o FBI nunca investigou o IsAnyoneUp.com e que era praticamente impossível alguém conseguir mandar retirar as suas fotografias daquela plataforma.

O próprio Moore confirmou por diversas vezes que, apesar das milhares de queixas e ameaças que recebeu, nunca ninguém conseguiu fazer nada.

A excepção foi quando um advogado norte-americano, Evan Brown, conseguiu que as fotografias de uma mulher fossem removidas depois de se ter socorrido de uma lei que previa que a sua fotografia, sendo considerada um auto-retrato, não podia ser publicada sem o pagamento de direitos de autor à própria.

O facto de o site usar dezenas de servidores diferentes também dificultava a tarefa de remoção dos conteúdos online. Pouco antes do seu fim, o alojamento do site estava a cargo de uma empresa de Los Angeles chamada BlackLotus, especializada em lidar com ameaças à segurança, tornando por isso muito difícil a eliminação do site por hackers, por exemplo. Quando contactado pela BBC, o presidente da BlackLotus, Jeffrey Lyon, confirmou que fazia negócios com Moore e indicou que não faz julgamentos de valor acerca dos negócios dos seus clientes.

Mas se, por um lado, o site preocupava muita gente, por outro ele era um fenómeno de popularidade em todo o mundo. Passado cerca de um ano da sua criação, Moore indicou que o IsAnyoneUp.com estava a conseguir fazer cerca de 20 mil dólares por mês (pouco mais de 15 mil euros) em publicidade. Grande parte deste dinheiro ia, porém, para as custas de alojamento.

Perante todo o desconforto das vítimas, Moore sempre reagiu com indiferença e arrogância. “As pessoas obviamente querem ver isto e eu só lhes estou a dar aquilo que elas querem ver. (…) Sou um empresário. (…) Aquilo que eu fiz foi apenas aperfeiçoar a maneira de fazer dinheiro com fotografias de pessoas nuas”, disse.

“Se estás a chorar por causa de uma fotografia que mandaste a um rapaz que acabaste de conhecer, eu não a vou retirar e realmente não quero saber”, disse Moore, que frisava que a sua intenção era educar as pessoas para o uso da tecnologia.

Surpreendentemente, o caso deu uma reviravolta há poucos dias quando Moore anunciou que o espaço seria entregue a um site anti bullying chamado Bullyville.com (é para este site que são agora redireccionados os internautas que queiram aceder ao IsAnyoneUp.com).

Apesar de não ter dado nenhuma desculpa clara para o fim do site, Moore disse estar cansado de todo o drama em torno da gestão do site e, particularmente, em torno do material contendo fotos de menores. Na nota deixada no site Bullyville.com, Moore afirma agora querer defender as vítimas de bullying.

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