O novo Kim quer reformas com ajuda alemã e até a Google pode contribuir

6/01/2013 19:57 - Modificado em 6/01/2013 19:57
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É considerado o país mais secreto e isolado do mundo, mas nos últimos dias foram reveladas informações que teriam sido difíceis de imaginar antes da chegada ao poder do novo líder, Kim Jong-un, filho do anterior líder, Kim Jong-il, e neto do outro anterior líder, Kim Il-sung.

 

Depois do surpreendente discurso de Ano Novo, em que abordou o tema da reconciliação com o Sul, soube-se agora que o Presidente da Coreia do Norte está a ser aconselhado por economistas e advogados alemães, que têm como tarefa apontar o caminho para o desenvolvimento da economia do país.

 

Um dos economistas envolvidos no processo, citado pelo diário alemão Frankfurt Allgemeine Zeitung, afirma que o regime da Coreia do Norte tem já um “plano director”, com o objectivo de promover a abertura económica “ainda este ano”.

 

O economista, que é identificado pelo jornal de referência como “um professor de uma prestigiada universidade alemã”, explica que Kim Jong-un não procura uma reforma da economia norte-coreana ao estilo chinês, através da criação de condições especiais para todo o tipo de investimento estrangeiro — o que o líder norte-coreano pretende é seguir o modelo do Vietname, “segundo o qual algumas empresas foram seleccionadas para serem destinatárias de investimentos”.

 

No discurso proferido no passado dia 1 de Janeiro — o primeiro de um líder norte-coreano a ser transmitido pela televisão desde 1994 —, o mais recente Kim prometeu mudanças económicas e declarou que quer ver no resto do país “o mesmo espírito e coragem” que os cientistas demonstraram ao “conquistar o espaço” — o líder norte-coreano referia-se ao lançamento de um foguetão, no dia 12 de Dezembro, condenado pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas e que os Estados Unidos e a Coreia do Sul consideram ter sido um teste para um míssil balístico intercontinental.

 

Num país devastado pela fome, onde, segundo um relatório de Junho de 2012 das Nações Unidas, cerca de 1/3 das crianças com menos de cinco anos de idade apresenta problemas de crescimento devido à falta de alimentação e de cuidados de saúde, Kim Jong-un comprometeu-se publicamente com “uma mudança radical”, com vista à “construção de um gigante económico”.

 

Aposta na tecnologia

 

A ligação Coreia do Norte-Alemanha já deu frutos no domínio da tecnologia. A empresa Nosotek, fundada em 2007 e que se apresenta no seu site como “a primeira parceria ocidental em tecnologias de informação com a República Popular Democrática da Coreia”, foi fundada pelo alemão Volker Eloesser.

 

No mês passado, a empresa ajudou a lançar o jogo online Pyongyang Racer — desenvolvido por alunos da Universidade de Tecnologia Kim Chaek —, que permite acelerar pelas ruas da capital norte-coreana.

 

Eloesser explicou à agência de notícias norte-americana Global Post o que pode motivar o interesse do investimento estrangeiro: “O preço e a qualidade, em comparação com as empresas indianas.” Para além disso, na China — onde os salários são muito superiores aos praticados na Coreia do Norte —, “as pessoas costumam despedir-se dos seus empregos antes de um projecto estar terminado, em busca de salários mais elevados”, afirma o alemão.

 

Na quinta-feira passada, a Associated Press noticiou que o presidente da Google, Eric Schmidt, irá visitar a Coreia do Norte, talvez ainda este mês. Schmidt, um conhecido defensor do acesso universal e livre à Internet, poderá encontrar-se com o líder de um país em que a maioria dos utilizadores está limitada a explorar conteúdos numa rede interna, sem ligações ao mundo exterior.

 

A visita, organizada pelo antigo governador do Novo México Bill Richardson, foi anunciada como uma missão humanitária e a Google já fez saber que não comenta “viagens a título pessoal”.

 

A Administração Obama é que não precisou de saber mais pormenores para dar um puxão de orelhas a Eric Schmidt: “Achamos que esta viagem não é oportuna”, afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Victoria Nuland.

 

Mas para Victor Cha, conselheiro do think tank Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, com sede em Washington, tudo se resume a uma questão de oportunidade: “Não sei se é uma boa oportunidade para a Google. Mas é uma boa oportunidade para a Coreia do Norte mostrar ao mundo que está a apostar a sério no seu desenvolvimento”, afirmou, citado pelo site da revista Wired.

 

 

 

jn.pt

 

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