Assad acusa inimigos de serem “fantoches do Ocidente”

6/01/2013 19:54 - Modificado em 6/01/2013 19:54
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O Presidente sírio, Bashar al-Assad, acusou este domingo os seus opositores de serem “inimigos de Deus e fantoches do Ocidente”. E propôs um plano que inclua uma conferência nacional de diálogo e um referendo sobre uma “carta nacional” como parte de um processo que culminaria na eleição de novo parlamento e nomeação de novo Governo.

 

A agência noticiosa Reuters conseguiu uma primeira reacção de membros da oposição ao discurso: disseram que o objectivo deste discurso foi torpedear os esforços internacionais para a negociação da paz e de uma solução política para a Síria. “Assad quer, com a iniciativa que propos, interromper o caminho para se chegar a uma solução política que pode resultar da próxima reunião com [Lakhdar] Brahimi [o mediador das Nações Unidas para a Síria], que a oposição não aceitará, a menos que ele e seu regime saiam”, disse o porta-voz da coligação nacional da oposição.

 

“Não vamos dialogar com um fantoche criado pelo Ocidente”, disse Assad numa passagem do seu discurso, uma rara intervenção televisiva, na Ópera de Damasco, cheia de entusiastas apoiantes. Como fundo uma bandeira síria formada por retratos de sírios mortos na guerra civil que começou depois das revoltas populares de Março de 2011.

 

Assad negou representatividade aos grupos que o combatem considerando-os fantoches e disse que a Síria pode negociar com o “mestre não com os criados”. Não rejeitou abordagens diplomáticas mas disse que não negoceia com pessoas com ideias “terroristas”. Agradeceu o apoio da Rússia, da China e do Irão ao seu regime.

 

O Presidente sírio disse também que a oposição ao seu poder é dirigida de fora para dentro e não é uma revolução. Uma revolução “precisa de pensadores e de se basear numa ideia”, disse. “Precisa de liderança – quem é o líder desta revolução?” Foi o único momento em que definiu o que se passa no país, uma vez que em todo o discurso omitiu palavras como revolta, guerra ou conflito.

 

Negou que o Governo e as suas tropas estejam em luta com a oposição, estão sim em luta com “os inimigos da pátria”, que classificou “inimigos de Deus” e, por isso, “irão para o Inferno”. Frisou que essa opção armada vai continuar, ao mesmo tempo que procurará o diálogo.

 

Como solução para a crise, Assad propôs que os poderes externos interrompam o fornecimento de armas que considera existir a “grupos terroristas”. O Exército interromperia então as operações, reservando-se o direito de defesa dos interesses do Estado.

 

O governo estabeleceria, depois disso, contacto com o que chamou “individualidades sírias e partidos políticos” para participarem numa conferência nacional de diálogo, a qual aprovaria uma carta (constitucional) a submeter a referendo. A fase seguinte passaria pela eleição de um parlamente e pela nomeação de um novo Governo.

 

Assad acusou os rebeldes de roubarem trigo ao povo, impedirem as crianças de irem à escola e de cortarem a electricidade e a assistência médica, e disse lamentar o sofrimento do povo por um conflito que, segundo dados revelados esta semana pelas Nações Unidas, já fez mais de 60 mil mortes.

 

A última intervenção televisiva de Assad, 47 anos, tinha sido uma entrevista à televisão russa em Novembro. O discurso deste domingo, transmitido por televisões internacionais como a BBC e a Al-Jazira, foi também a primeiro em público desde Junho, e não revelou qualquer novidade em relação a intervenções anteriores.

 

Um dos temas em que insistiu foi a ideia de que o Ocidente fechou a porta a um possível diálogo na Síria. Um porta-voz da responsável pela política externa europeia, Catherine Ashton, voltou a dizer, este domingo, que Bashar al-Assad tem que abandonar o poder para que possa existir uma transição política. “Vamos analisar o discurso e verificar se há alguma novidade, mas mantemos a nossa posição de que Assad tem que sair”, disse o porta-voz, citado pela Reuters.

 

Em Londres, o ministro dos Negócios Estrangeiros,William Hague, reforçou a mensagem de Ashton ao dizer que Assad “fez uma promessa vazia que não engana” num discurso “para lá de hipócrita”

 

 

 

 

publico.pt

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