Poucos acreditam na sobrevivência de Chávez mas… os milagres acontecem na Venezuela

4/01/2013 02:27 - Modificado em 4/01/2013 02:27
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Chávez está “consciente” de que o seu estado é grave. O Governo deixou de falar no adiamento da tomada de posse, marcada para 10 de Janeiro. 

O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, deu uma entrevista à televisão estatal TeleSUR para falar da saúde de Hugo Chávez. Mas pode ter sido também o seu primeiro acto na campanha eleitoral para a presidência, uma vez que é cada vez mais improvável a recuperação e tomada de posse de Chávez. De tal forma que a entrevistadora terminou o programa dizendo que, por ser uma mulher de fé, acredita em “milagres”.

 

Maduro elogiou o “líder” e emocionou-se ao dizer que, no fim-de-semana, pôde visitá-lo em Havana duas vezes – Chávez foi operado pela quarta-vez em Cuba a um cancro na região pélvica e, desta vez, está a sofrer de várias complicações pós-operatórias. “Vi-o com uma força de gigante. Saudei-o com a mão esquerda e apertou-ma com uma força gigantesca, enquanto falávamos”, disse Maduro, que acusou a “direita louca” de estar a espalhar rumores: sobre Chávez estar em coma ou de já ter morrido.

 

O vice-presidente – que Chávez, antes de partir para Havana, nomeou seu sucessor e o continuador do chavismo – disse ao povo para não se deixar amedrontar pela direita, mas teve que admitir que o Presidente está “consciente” do estado débil e grave em que se encontra.

 

Reagindo à entrevista, a principal coligação da oposição, a União Democrática, exigiu que o Governo diga “a verdade” sobre o que se passa com Chávez. “É esssencial que o Governo actue de forma a transmitir confiança”, disse o secretário-geral da coligação, Ramon Guillermo Aveledo.

 

Aveledo disse que não devem ser Nicolás Maduro a transmitir recados sobre o estado de saúde do Presidente ou atecer considerações sobre o que viu em Havana. E reclamou que seja apresentado “o diagnóstico e o prognóstico médico” de Chávez, hospitalizado em Cuba desde 11 de Dezembro.

 

De acordo com a análise do jornal espanhol El País, nesta entrevista Maduro surgiu como um homem de Estado, com um discurso lógico e directo sobre o momento complexo que se vive na Venezuela – como um sucessor, portanto. Não falou na tomada de posse, marcada para o dia 10 de Janeiro – na semana passada, alguns sectores do Governo sugeriram um adiamento da data, de forma a dar tempo a Hugo Chávez para se recompor e prestar juramento para mais um mandato de seis anos, o seu terceiro consecutivo (foi reeleito em Outubro).

 

Porém, esse pedido não deu entrada no Tribunal Constitucional ou no Supremo, o que, segundo os analistas venezuelanos, é o sinal mais evidente de que o Presidente pode morrer a qualquer momento.

 

Diz a Constituição venezuelana que se Chavéz não puder tomar posse deverá haver novas presidenciais no prazo de três meses. Se Chávez conseguir tomar posse e morrer depois, sucede-lhe no cargo o vice-presidente, Nicolás Maduro.

 

Se a saúde de Chávez, de 58 anos, está a deixar muitos venezuelanos nervosos, também está a abrir brechas nas instituições. Em declarações ao diário de Caracas El Universal, a procuradora-geral da República, Cilia Flores, disse que a tomada de posse é uma “mera formalidade” e, por isso, desnecessária. “O Presidente já foi eleito pela maioria do povo, e inclusivamente o Presidente já está juramentado, uma vez que há uma continuidade com o período que está a acabar”. Ou seja, para a procuradora-geral, o juramento ou juramentos que Chávez fez nos mandatos anteriores servem para o que deveria começar no dia 10.

 

No Supremo não houve quem comentasse de imediato as declarações de Cilia Flores, mas o El Universal dizia que o colectivo dos juízes mais poderosos do país não está de acordo. Até porque, no passado, houve uma disputa que foi preciso clarificar e que o Supremo apoiou, fazendo jurisprudência. “O início da acção de um novo Governo depende da correspondente tomada de posse”, declarou em Maio de 2009 a Assembleia Constitucional depois de analisar um recurso relativo à eleição de um governador regional. “O acto de juramento do chefe do executivo constitui uma solenidade imprescindível para o assumir da magistratura”. Em 2005, a propósito de outro caso, já declarara que “o processo eleitoral não pode ser considerado terminado sem a efectiva tomada de posse do cargo por parte do candidato”.

 

Maduro, de 50 anos, que nos últimos meses abandonou a formalidade do fato e gravata e começou a optar por camisas informais (mais como Chávez), pode, de facto, ter aproveitado as explicações sobre a saúde do Presidente para começar a campanha para se tornar o sucessor de Chávez. Na oposição, Henrique Capriles mantém-se discreto e apelou aos seus seguidores: “Não se deixem tomar pelos rumores ou pela raiva”.

 

Nem um lado nem o outro querem que a panela de pressão que o estado de saúde de Hugo Chávez gerou expluda em violência. Até porque há outro rumor a correr em Caracas: Maduro voltou de Cuba porque Chávez está melhor e reaparecerá no dia 10 de Janeiro, pelo seu pé, para tomar posse.

 

Metade do país está a rezar pela sua recuperação – a celebração da passagem do ano foi cancelada e deu lugar a missas e orações pedindo a cura do Presidente. Os venezuelanos não se esquecem o quanto rezaram por Chávez, que já fora dado como condenado em 2011, e outra vez em 2012 – em Maio deste último ano, depois de mais uma ida a Havana para nova cirurgia e quimioterapia, aterrou em Caracas para anunciar “Estou curado!”.

 

 

 

 

dn.pt

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