Exército sírio conquista bairro de Homs

30/12/2012 22:25 - Modificado em 30/12/2012 22:25
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O Exército sírio capturou no sábado um bairro de Homs, uma das cidades mais martirizadas pelos combates, demonstrando que, apesar dos ganhos reclamados pelos rebeldes, não há qualquer fim à vista para o conflito, que se arrasta há 21 meses. Em Moscovo, o enviado especial das Nações Unidas voltou a avisar que, se as duas partes continuarem a virar costas às negociações, a Síria transformar-se-á “num inferno”.

 

As informações que chegam de Homs, no Centro do país, são escassas e impossíveis de confirmar. Os Comités de Coordenação Local, um dos movimentos da oposição, anunciaram que um soldado capturado após o final dos combates contou que o Exército, depois de entrar em Deir Baalbeh, executou mais de 200 civis, incluindo mulheres e crianças, numa fábrica petroquímica.

 

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental sediada em Londres e que reúne informações de activistas no terreno, disse à Reuters ter apenas notícia da morte de dezenas de rebeldes durante os combates pelo controlo do bairro, cuja tomada abre caminho para Khaldiya, um dos principais bairros ainda em poder da oposição. Um activista local disse à CNN que nesta manhã a cidade “cheirava horrivelmente”, dando conta de rumores de que o Exército estaria a queimar os corpos das vítimas.

 

O Governo sírio não comentou estas informações, mas a televisão estatal mostrou imagens de vários mortos após o final dos combates, que identificou como sendo de “terroristas”. Durante as buscas, adiantou, “explosivos pesando entre 15 e 50 quilos foram descobertos” e “vários terroristas foram mortos ou feridos, enquanto os restantes fugiram”.

 

A confirmar-se os números referidos pelos Comités, sábado teria sido um dos dias mais sangrentos das últimas semanas, com um balanço a aproximar-se dos 400 mortos, noticiou a BBC. Só o Observatório disse ter notícia da morte de 153 pessoas, incluindo 76 civis e 51 soldados.

 

Notícias que reforçam o novo alerta deixado pelo enviado especial da ONU, o diplomata argelino Lakhdar Brahimi, na Rússia, país que nas últimas semanas tem tentado impulsionar um plano internacional para uma resolução política da crise. “A única alternativa é entre um processo político ou o inferno”, avisou o enviado especial no final de um encontro com o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov. Se os combates se intensificarem, sublinhou, milhares de sírios serão levados a fugir do país, procurando refúgio na vizinha Jordânia ou no Líbano.

 

Por seu lado, o chefe da diplomacia russa lamentou que o líder da Coligação Nacional Síria, a nova entidade política que pretende unir toda a oposição, tenha recusado o convite de Moscovo para negociar. A oposição recusa discutir qualquer iniciativa diplomática que não inclua o afastamento do Presidente Bashar al-Assad – uma posição que Moscovo, último aliado internacional do regime de Damasco, sempre recusou, mas que aos poucos começa a admitir.

 

Numa conferência de imprensa neste domingo, Lavrov recordou que Assad “disse vezes sem conta que não tem intenção de ir a qualquer lado e que ficará no seu posto até ao fim” e “não foi possível fazê-lo mudar de posição”. Ainda assim, afirmou, Moscovo partilha a opinião de Brahimi de que “ainda existem hipóteses de chegar a uma solução política”.

 

 

 

 

publico.pt

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