Ex-presidente da Libéria conhece sentença na quinta-feira

25/04/2012 00:37 - Modificado em 25/04/2012 00:37
| Comentários fechados em Ex-presidente da Libéria conhece sentença na quinta-feira

O ex-presidente da Libéria Charles Taylor conhece na quinta-feira a sentença do julgamento em que foi acusado de 11 crimes de guerra e contra a humanidade, incluindo assassínio e violação, durante a guerra civil na Serra Leoa (1991-2002).

O Tribunal Especial para a Serra Leoa indicou que o veredicto será lido numa sessão pública cerca das 11h00 locais (10h00 em Lisboa) e que, se o antigo presidente liberiano for considerado culpado, será marcada uma nova audiência para determinar a pena.

Os estatutos do tribunal não prevêem a prisão perpétua, embora não estabeleçam um limite para a duração da pena.

Decidido está que, se for condenado a uma pena de prisão, Taylor, de 64 anos, vai cumprir a sentença no Reino Unido. O ex-presidente declarou-se inocente e classificou o processo de “um logro”.

Presidente da Libéria de 1997 a 2003, Charles Taylor foi acusado de ter criado e aplicado um plano para obter o controlo da Serra Leoa, através de uma campanha de terror, com o objectivo de explorar as reservas diamantíferas do país. Os crimes que lhe foram atribuídos terão sido cometidos entre 30 de Novembro de 1996 e 18 de Janeiro de 2002.

A acusação sustentou que Taylor armou os rebeldes da Frente Unida Revolucionária em troca dos designados “diamantes de sangue” extraídos ilegalmente. Terá ainda enviado forças armadas liberianas para combaterem ao lado daqueles rebeldes.

Os homens de Taylor, frequentemente drogados, realizaram mutilações e actos de canibalismo, mataram numerosos civis à catanada, fizeram escravas sexuais e recrutaram menores de 15 anos para unidades especiais, como a Unidade dos Rapazes, adiantou.

A defesa de Taylor alegou durante o julgamento que o ex-presidente liberiano é “um homem de paz” que apenas tentou proteger a Libéria de possíveis ataques do país vizinho.

Charles Taylor foi acusado em Junho de 2003 e detido na Nigéria em Março de 2006. Durante o julgamento, que se iniciou em janeiro de 2008 e foi concluído em Março de 2011, a acusação apresentou 94 testemunhas e a defesa 21.

O antigo presidente testemunhou durante 13 semanas e, entre as testemunhas chamadas pela acusação, criou expectativa o depoimento da manequim britânica Naomi Campbell que disse ter recebido uma bolsa com três “pedras sujas”, após um jantar de caridade dado pelo então presidente sul-africano Nelson Mandela, em 1997, na África do Sul.

Campbell disse ainda aos juízes ter assumido que “as pedras”, diamantes em bruto, eram de Taylor, mas que as deu para o Fundo para Crianças de Nelson Mandela no dia seguinte.

Com as declarações da modelo e da actriz norte-americana Mia Farrow, presente no mesmo jantar, a acusação tentou demonstrar que Taylor mentia ao afirmar nunca ter tido na sua posse diamantes em bruto, alegadamente “diamantes de sangue”.

A deliberação do tribunal durou cerca de um ano devido “à complexidade do processo”, que inclui 50 mil páginas de testemunhos e 1520 elementos de prova.

Taylor é o primeiro ex-chefe de Estado africano a ser processado por um tribunal internacional.

Este Tribunal Especial, criado em 2002, já condenou vários líderes rebeldes da Serra Leoa a penas de prisão entre os 15 e os 52 anos. O julgamento de Taylor é o último.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2017: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.