Lavagem de capitais: Cabo Verde fez o homework ?

25/04/2012 00:14 - Modificado em 25/04/2012 00:15
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O debate realizado sobre a exposição do sistema financeiro à lavagem de capitais em Cabo Verde permitiu tirar algumas conclusões, para além da intenção de aproveitamento político e do exorcismo de fantasmas em que se transformou o debate parlamentar.

 

Cidadãos, que pedem anonimato, consideram que “ nem o MpD nem o PAICV e muito menos o País ganham nada em provar que Cabo Verde não passa de uma grande máquina de lavar dinheiro no oceano Atlântico. “ E muito menos com “ suspeições sobre o sistema financeiro”. Isto se essas suspeições  não passarem das costumeiras politiquices à moda cabo-verdiana  e também não passarem de um debate parlamentar que não levou a nada, porque não produziu provas de  que as Instituições  do Estado ou governantes facilitaram ou estão envolvidos na lavagem de capitais.

Lembram as nossas fontes que o tráfico internacional de drogas e outras actividades criminosas injectam no sistema financeiro mundial biliões de dólares por ano. E que de uma outra forma ou de outra vão conseguindo” lavar o dinheiro” inventando novas formas. Para um economista “ o problema reside em criar leis e mecanismos que impeçam, ou pelo menos não facilitem, a lavagem de dinheiro e neste sentido, a bem da verdade, o Pais não tem facilitado e criou leis “.

E continua “ mas isso não significa que a lavagem de capitais não exista mais. E o caso “Lancha Voadora” veio mostrar a sofisticação que se utiliza na lavagem de dinheiro “ Conclui defendendo que “ o destino de Cabo Verde, depois de ser entreposto de tráfico de drogas era ser  um money laudering no Atlântico. O certo é que a comunidade internacional apercebeu-se disso e exigiu que Cabo Verde tomasse medidas ou mesmo tempo que ajudou o País a fazer esse combate “.

Fugir ao destino

É facto que Cabo Verde tinha dois caminhos: ser um narco- estado, ter uma economia sustentada pela lavagem de capitais provenientes de diversos crime, onde o dinheiro proveniente do tráfico de drogas seria  e apenas  mais um, ou um estado que  se submeteria as regras impostas pela comunidade internacional  no combate a lavagem de capitais.

Como sempre o pragmatismo cabo-verdiano optou pelo “bom caminho”, mas exigiu contrapartidas pelo bom comportamento. E as grandes apreensões de droga e confisco dos bens dos traficantes são uma prova que o Pais está a fazer o homework ( TPC)  imposta pela comunidade internacional.

E no fim do debate a Ministra do Interior veio mostrar os números que constam do caderno com os trabalhos de casa que a comunidade internacional passou ao País. Divulgou que: “ Os bens e dinheiro apreendidos no quadro dos crimes financeiros e do tráfico de droga em Cabo Verde ascendem aos 3,5 milhões de contos (31,7 milhões de euros “ Mas disse mais “O valor das apreensões representa quase 6 por cento do Orçamento do Estado cabo-verdiano para 2012. Segundo Marisa Morais, antiga ministra da Justiça (2007/11), as investigações em curso já permitiram a apreensão, em dinheiro, de meio milhão de contos (4,53 milhões de euros) e o congelamento de bens no valor de um milhão de contos (9,06 milhões de euros).

Será suficiente? Se calhar não. Mas o certo é que está em linha com o que a comunidade internacional, com os EUA a cabeça, tem exigido de Cabo Verde.

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