Falta de médico legista: casos especiais geram dor de cabeça à PJ e à Delegacia de Saúde

20/12/2012 01:34 - Modificado em 20/12/2012 15:36
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Há um ano que a ilha de São Vicente está sem médico legista, porque o especialista que se encontrava de serviço na delegacia de saúde local foi para a ilha do Fogo em regime temporário, mas até ao momento não regressou. Esta situação tem gerado alguns problemas às autoridades, que nos casos especiais recorrem a um especialista da cidade da Praia para realizar as autópsias.

 

O especialista em medicina legal, Ledo Pontes que trabalhava em São Vicente deslocou-se ao município dos Mosteiros, na ilha do Fogo, para ocupar o cargo de delegado de saúde. As autoridades previam o regresso de Ledo Pontes, porém, volvidos doze meses, a Delegacia de Saúde de São Vicente e a Polícia Judiciária não dispõem de um especialista na ilha para auxiliá-los na realização de autópsias, entre outros exames.

O NN contactou a delegada de Saúde de São Vicente a fim de questioná-la sobre a situação e sobre o regresso do especialista Ledo Pontes à Delegacia desta ilha. Relativamente à vinda de Pontes, a médica Ariana Monteiro assegura não estar em condições de se pronunciar sobre o assunto porque é uma questão do fórum do Ministério da Saúde.

Mas, por outro lado, a delegada de saúde afirma que “vamos fazendo o nosso esforço e até onde eu puder intervir como clínico faço-o. Mas onde eu não puder intervir fazemos a requisição da legista da cidade da Praia, a médica Ineida Sena, pelo que, apesar de não haver muitos casos, ela tem vindo algumas vezes para fazer uma autópsia”.

Questionada sobre se a ilha de São Vicente deve ter o seu próprio médico legista, a delegada diz que “o ideal seria termos um médico legista na ilha, mas enquanto isso não for possível, vamos jogando com as condições que temos”.

A nossa entrevistada admite que, nalguns casos, a realização da autópsia demora vários dias porque a sua realização fica a depender da disponibilidade da médica legista que vem da cidade da Praia. Mas garante que “o processo de autópsia que requer um especialista depende de alguns factores. Quando a legista tem disponibilidade e não há congestionamento nos voos, o processo é mais rápido. Mas, às vezes, estas duas situações fazem com que a autópsia demore alguns dias para ser realizada e assim o corpo vai para o frio”.

Ariana Monteiro explica que a Delegacia de Saúde não tem tido conflitos com os familiares de uma vítima que aguarda pela realização de uma autópsia porque lhes dá esclarecimentos sobre a razão do atraso e que, nestas circunstâncias, os custos de permanência de um corpo em câmara fria ficam por conta do Ministério da Saúde.

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