De pais para filhos, a Limetree não é uma rede social

16/12/2012 16:25 - Modificado em 16/12/2012 16:25
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“Ou mudávamos de indústria, ou mudávamos de país”. Pedro Veloso, 35 anos, é desde 2004 sócio numa empresa de gestão de projectos na área da engenharia civil, em Lisboa. Mas o sector da construção é daqueles que a crise não poupou e a opção acabou por ser mudar de indústria para poder ficar no país.

 

Veloso e o outro sócio da empresa, Jaime Quintas, de 39 anos, não fecharam as portas, mas quase: estão há meses a trabalhar a tempo inteiro num serviço online chamado Limetree, destinado a pais que queiram ir documentando (em texto, vídeo e fotografia) o crescimento dos filhos – uma espécie de álbum das crianças, em versão digital. Este conteúdo pode ser partilhado com um grupo seleccionado de amigos e familiares e, um dia, poderá ser entregue numa “caixa de recordações”.

 

O conceito do Limetree surgiu quando Pedro Veloso, que tem três filhos, e Jaime Quintas, que tem dois, perceberam que o Limetree é o tipo de serviço que cada um gostaria de usar. Uma das funcionalidades do site, por exemplo, permite escrever uma carta a um filho e fazer com que só possa ser lida pelo destinatário numa data predefinida. “O Facebook não responde” às necessidades de armazenamento e partilha de informação com um grupo muito restrito de pessoas, argumentou Jaime Quintas, quando questionado sobre as razões que levariam as pessoas a optar por este serviço em vez de usar uma das muitas plataformas de partilha de conteúdos já existentes.

 

O site, disponível em inglês e em português do Brasil, faz questão de anunciar logo na primeira página: “Isto não é uma rede social, é entre você e o seu filho”. Os criadores esforçam-se por sublinhar que a segurança e privacidade são prioridades. Após criar uma conta, o utilizador pode começar a introduzir conteúdo. Cada um desses elementos pode ser partilhado noutras plataformas – email, Twitter e Facebook – e pode também ficar disponível no próprio site, visível apenas às pessoas autorizadas pelo detentor (ou detentores) da conta.

 

A ideia teve o apoio de dois amigos, um deles dono de uma empresa de informática, que foi responsável pelo desenvolvimento da plataforma. Até agora, o investimento rondou os “200 a 300 mil euros”, mas a dupla de fundadores pretende angariar 500 mil euros.

 

A Limetree recebeu uma menção honrosa no Prémio Nacional de Indústrias Criativas, uma iniciativa da Unicer e da Fundação de Serralves. Por terem sido finalistas, os fundadores ganharam 25 mil euros e apoio para elaborarem um plano de negócio.

 

O objectivo do serviço é fazer dinheiro com contas de utilizador pagas. Por ora, apenas estão disponíveis contas gratuitas, mas, em breve, os utilizadores que queiram mais espaço para guardar vídeos e fotografias podem optar por uma modalide de pagamento anual.

 

Outra fonte de receitas poderão ser as “caixas de recordações” físicas, para serem dadas como presentes aos filhos. E, embora não contemplem a hipótese de incluir publicidade, os fundadores dizem que poderá fazer sentido ter um patrocinador associado ao projecto.

 

A meta é ter um milhão de utilizadores até finais de 2013. Dos cerca de 5500 utilizadores já registados, a maioria é dos EUA e do Brasil, os dois mercados onde a dupla quer apostar. Pedro Veloso até já foi a convenções nos EUA de pais e mães bloggers. Neste país, refere, esta “comunidade” tem uma dimensão que não é possível encontrar em Portugal. A Limetree, observa, “é um bocadinho mudar de país, sem ter de deixar a casa em Lisboa”.

 

 

 

publico.pt

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