Nenhuma superpotência, mais classe média, menos recursos: eis o mundo em 2030

12/12/2012 16:04 - Modificado em 12/12/2012 16:05
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A China ultrapassará os Estados Unidos em termos económicos, mas não haverá nenhuma potência hegemónica. O poder estará pulverizado pelos cidadãos e emergirá uma nova classe média. O consumo de recursos básicos, como água e alimentos, vai disparar. O clima diferente agravará os desafios. Eis o mundo em 2030, tal como antevê o National Intelligence Council (NIC), um órgão consultivo do Governo norte-americano para questões estratégicas.

 

No seu relatório Global Trends 2030, divulgado esta segunda-feira, o NIC confirma a escalada dos países emergentes para posições cimeiras da economia mundial. “A Ásia vai ultrapassar a América do Norte e a Europa em poder global, com base no PIB, população, gastos militares e investimento em tecnologia”, antevê o relatório. “A China provavelmente terá a maior economia, ultrapassando os Estados Unidos alguns anos antes de 2030”, acrescenta.

 

Mas não haverá uma única potência hegemónica, como têm sido os Estados Unidos até agora. “A China não vai substituir os EUA a nível global. Ser a maior potência económica é importante. [Mas] não é a maior potência económica que se torna sempre, necessariamente, na superpotência”, disse Mathew Burrows, membro do NIC, numa conferência de imprensa, citado pela agência Reuters.

 

O poder, na verdade, estará pulverizado por uma sociedade que se organiza em redes, a partir sobretudo de uma classe média emergente que, segundo o relatório, será o principal motor de muitas das mudanças que se antecipam. “Pela primeira vez, a maior parte da população mundial não será pobre e a classe média será o sector social e económico mais importante na vasta maioria dos países”, diz o NIC.

 

Este cenário encerra boas e más perspectivas. Do lado positivo, a organização da sociedade cada vez mais em redes de indivíduos pode contribuir para a solução de muitos problemas. Mas também facilita o acesso a “tecnologias letais e disruptivas”, permitindo a pequenos grupos “provocar a violência em larga escala – uma capacidade antes monopólio dos Estados”.

 

O relatório do NIC é intencionalmente publicado a cada quatro anos, no princípio de um novo mandato presidencial nos EUA. É uma espécie de guião prospectivo para ajudar a administração norte-americana a tomar decisões estratégicas.

 

Algumas das suas conclusões reflectem cenários já traçados por outras organizações. A recente revolução na exploração de combustíveis fósseis, com o aumento da extracção de hidrocarbonetos não-convencionais, como o gás e o petróleo de xisto, é uma delas. O relatório reitera que os Estados Unidos podem tornar-se energeticamente independentes até 2030, tal como já concluíra a Agência Internacional de Energia, no seu mais recente estudo sobre as perspectivas para as próximas décadas, publicado há um mês.

 

Também na demografia, nos recursos e no clima, aponta-se para um futuro que já era expectável. O aumento populacional vai ocorrer sobretudo nos países em desenvolvimento, inchando-lhes as cidades, ao mesmo tempo que o envelhecimento avançará no mundo industrializado.

 

O consumo de alimentos, de água e de energia aumentará 35%, 40% e 50%, respectivamente. “As alterações climáticas irão agravar as perspectivas de disponibilidade destes recursos essenciais”, alerta o relatório. “Não estamos a caminhar necessariamente para um mundo de escassez, mas os responsáveis políticos e os seus parceiros do sector privado terão de ser proactivos de modo a evitar tal futuro”, completa.

 

Mas nalgumas partes do globo, a situação pode tornar-se ainda pior do que hoje. “A produtividade agrícola em África, particularmente, necessitará de mudanças radicais para evitar a escassez”, refere o documento.

 

 

 

jn.pt

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