EUA reconhecem oposição de Assad como “legítimo representante”

12/12/2012 16:01 - Modificado em 12/12/2012 16:01
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Os Estados Unidos reconheceram a Coligação Nacional de oposição como “o legítimo representante” do povo sírio e incluíram a Frente al-Nosra na lista de organizações terroristas.

 

O Presidente Barack Obama disse terça-feira à ABC News que a Coligação, criada em Novembro, é suficientemente inclusiva e representativa para os Estados Unidos darem este “grande passo”.

 

Colaboradores de Obama disseram que o reconhecimento não implica o fornecimento de armas pelos Estados Unidos, mas responsáveis da administração norte-americana disseram à televisão que isso poderá acontecer se for entendido que contribui para uma solução política.

 

“Decidimos que a Coligação da oposição síria reúne agora [grupos] suficientes, reflecte e representa suficientemente a população síria para que a consideremos como a representante legítima dos sírios”, afirmou.

 

O grupo dos Amigos da Síria que está reunido esta quarta-feira, em Marrocos também já reconheceu formalmente a Coligação Nacional da oposição a Assad como legítimo representante do povo sírio. Na reunião estão presentes ministros dos Negócios Estrangeiros de cerca de 70 países.

 

“Os participantes reconhecem a Coligação Nacional como legítima representante do povo sírio e como a organização que abriga os grupos da oposição”, lê-se numa declaração dos ministros em Marraqueche, divulgada pela Reuters.

 

A França, primeiro país a fazê-lo, o Reino Unido, a Turquia e estados do Golfo Pérsico já tinham reconhecido a coligação. Pelo contrário, a Rússia, a China e o Irão mantém o seu apoio ao Presidente Bashar al-Assad. Para o grupo reunido em Marrocos, o líder sírio “perdeu toda a legitimidade e deve deixar o poder e permitir uma transição política pacífica”, diz o mesmo documento.

 

Os Amigos da Síria anunciaram também a constituição de um fundo de emergência para “apoio do povo sírio” e apelaram às contribuições de Estados e organizações não-governamentais. O texto do comunicado era ambíguo quanto à possibilidade do dinheiro recolhido poder ser utilizado na compra de armas para os combatentes da oposição. O ministro francês dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, afastou por enquanto esse cenário. “Para já decidimos não avançar nesse sentido. Veremos o que acontece nos próximos meses”, declarou.

 

Mas o seu congénere britânico, William Hague, sublinhou que “o Reino Unido não exclui nenhuma opção para salvar vidas. O regime de Assad não deve duvidar da nossa determinação, nem pôr em causa a nossa reacção se decidir recorrer a armas químicas ou biológicas contra o povo sírio”.

 

Grupos islamistas na luta contra Assad

 

Os Estados Unidos incluíram também na terça-feira a Frente al-Nosra, um grupo islamista envolvido na luta contra Assad, relacionado com a Al-Qaeda, na lista de organizações terroristas. Foram igualmente congelados bens de dois dos seus chefes, o iraquiano Maysar Ali Moussa Abdallah al-Joubouri e o sírio Anas Hassan Khatab, noticiou a AFP. O anúncio foi feito pela secretária de Estado, Hillary Clinton.

 

Desconhecida até ao início da revolta síria, em Março de 2011, a Frente al-Nosra ganhou protagonismo reivindicando a maior parte dos atentados-suicidas cometidos no país e impondo-se nas frentes de combate.

 

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos calcula em mais de 42 mil o número de mortos desde que começaram as revoltas contra o regime, há 21 meses.

 

 

 

 

publico.pt

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