Nova Nintendo vem para a guerra com tablets e telemóveis

3/12/2012 04:14 - Modificado em 3/12/2012 04:14
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Foi no final de 2006 que a Nintendo apresentou a Wii original, a consola que veio estrear os jogos controlados por gestos. Era mais barata, e menos potente, do que as rivais PlayStation 3 (da Sony, lançada no mesmo ano) e Xbox 360 (da Microsoft, de 2005), que ainda são os modelos mais recentes das respectivas marcas.

 

“Esta foi a geração de consolas mais longa”, notou ao PÚBLICO Jorge Vieira, da Nintendo Portugal, nesta quarta-feira à noite, numa apresentação do novo modelo em Lisboa. E isso, argumentou, permitiu que os jogos para telemóveis e tablets aproveitassem o hiato e preenchessem as necessidades dos jogadores de terem novas formas de jogar.

 

A Wii original foi um grande sucesso. Porém, muito mudou no mundo dos videojogos desde aquele ano. E a Nintendo – que em 2011, e pela primeira vez na sua história, fechou o ano com prejuízos – está, tal como os outros fabricantes, a enfrentar uma nova realidade.

 

O iPhone foi lançado em 2007, seguindo-se uma torrente de smartphones e de tablets. Com estes aparelhos, surgiu uma miríade de jogos: desde adaptações de títulos que as grandes editoras já tinham criado para consolas e computadores até jogos caseiros, que deixaram de precisar das editoras e, em alguns casos, acabaram nas mãos de milhões de pessoas. Muitos destes jogos podem ser descarregados a uma minúscula fracção do preço dos jogos para consolas ou até gratuitamente.

 

Apareceram também novas formas de jogar, focadas no ecrã sensível ao toque, nos controlos por movimento e na possibilidade de jogar de forma mais casual e simples, tirando o telemóvel do bolso enquanto se espera por um autocarro ou para ser atendido numa consulta médica.

 

Também os jogos online atraíram mais consumidores, graças a uma maior largura de banda das ligações à Internet, à evolução das tecnologias para criar jogos na Web e à disseminação de jogos em redes como o Facebook. De acordo com um relatório da consultora PwC, 2013 será o ano em que a facturação dos jogos online e para dispositivos móveis vai suplantar os jogos para consola e computador, cujo valor tem vindo a cair de forma suave, mas contínua, desde 2008. Em 2016, a facturação daquele segmento já será 36% superior à dos jogos tradicionais.

 

Ainda segundo a PwC, a oitava geração de consolas que agora começa deverá gerar interesse nos consumidores e levar a uma subida da facturação dos jogos para estes aparelhos a partir de 2013.

 

Aposta no comando

A principal novidade da consola é o grande comando, com um ecrã sensível ao toque. Pode, por exemplo, ser usado em jogos de dois jogadores, em que um joga na televisão e outro no ecrã do comando (em vez de simplesmente dividir o ecrã, como tipicamente acontece).

 

Também serve como uma espécie de consola portátil doméstica: o jogador pode estar a jogar na televisão e continuar a fazê-lo no comando, caso queira abandonar o sítio onde está caso alguém queira ver televisão.

 

O comando permite ainda novas mecânicas de jogo, com as quais a empresa espera atrair consumidores e motivar criadores de jogos a desenvolverem experiências diferentes. Na apresentação em Lisboa, a empresa exemplificou como, no conhecido jogo de futebol FIFA 2013, a partida se pode desenrolar na televisão, enquanto o ecrã do comando é usado para definir tácticas e tomar outras opções técnicas.

 

“Acredito que o formato da Nintendo terá sucesso, no sentido em que é inovador e apresenta uma solução que não existe no mercado”, observa Nelson Zagalo, investigador especialista em videojogos da Universidade do Minho, e classifica a tecnologia e a ideia de um ecrã portátil a interagir com o ecrã da televisão como uma boa estratégia para enfrentar os tablets: “Os tablets poderiam fazer aquilo que a Wii U está a propor. A Apple poderia ter feito isso, mas está atrasada.”

 

Zagalo, porém, ressalva que, para a consola ser comercialmente bem-sucedida, é necessário que haja conteúdos, e argumenta que ainda é cedo para perceber se os jogos já desenvolvidos fazem o aproveitamento devido da tecnologia. A acompanhar a estreia da Wii U, chegam ao mercado 23 jogos, alguns desenvolvidos pela própria Nintendo para mostrar as potencialidades do comando.

 

O especialista nota, por fim, que tal como na primeira Wii, este género de interacção com a consola potencia os jogos em família ou em grupo, mas não é adequada para os chamados jogadores hardcore. São aqueles que passam várias horas a jogar e que querem uma experiência de imersão. Embora a Nintendo frise frequentemente que também tem jogos para este tipo de consumidor, trata-se de um mercado em que as rivais da Sony e da Microsoft têm um posicionamento mais forte.

 

Para além do comando, a Wii U é o primeiro modelo da Nintendo com gráficos de alta definição. Está à venda em três versões, que variam na capacidade de armazenamento, cor e jogos e acessórios incluídos.

 

Começo animador

A Wii U foi lançada nos EUA no dia 18. A consola vendeu 400 mil unidades ao longo da primeira semana, segundo a Nintendo, um número animador e que deixou muitas lojas em ruptura de stock – mas, ainda assim, abaixo das 475 mil vendas da primeira Wii na altura de estreia. Na mesma semana, que incluiu a sexta-feira negra (em que muitos retalhistas fazem grandes promoções), a rival Xbox vendeu 750 mil unidades, de acordo com a Microsoft.

 

Para o mercado português, Jorge Vieira diz-se optimista. Sem divulgar números, garante que as pré-reservas feitas nos retalhistas “decorreram a um ritmo bastante bom, que foi de encontro às nossas expectativas”.

 

Com a chegada da nova consola, a Wii original continuará no mercado. Em Portugal, ao longo dos seis anos, foram vendidas cerca de 284 mil unidades deste modelo. Destas, 247 mil venderam-se desde 2009, quando a multinacional dispensou o antigo representante local, a Concentra, e abriu a sucursal portuguesa, que é gerida a partir de Espanha.

 

 

 

dn.pt

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