Mensagem do Presidente da República alusiva ao Dia Nacional da Cultura e das Comunidades

19/10/2018 00:19 - Modificado em 19/10/2018 00:19

Celebramos hoje a cultura nacional e as comunidades emigradas, duas partes indissociáveis da nossa realidade como povo.

Homenageamos os que têm o condão de captar o que de mais profundo, pessoal e especifico existe em nós, de consolidar, através da criatividade, a sua faceta colectiva e, não raras vezes, de lhe conferir uma dimensão universal.

Distinguimos, também, os que com o seu corpo, a sua alma e o seu trabalho ampliam, transportam, protegem e revigoram, nos quatro cantos do mundo, a cultura cabo-verdiana.

É a cultura que reduz as distâncias e une os cabo-verdianos espalhados pelo mundo, ligando-os entre si e à terra, concedendo, dessa forma, ao nosso país, uma dimensão que em muito ultrapassa a física.

Cantar, através do imortal Eugénio Tavares, a cultura, verdadeiro conteúdo da nossa alma e os que, nas mais diversas esferas culturais ajudam a moldar o nosso espírito, para além de um justo reconhecimento a esses cabo-verdianos, é uma forma de reafirmar a nossa originalidade, o nosso particular modo de ser.

Ao longo deste ano, acontecimentos de grande importância tiveram e continuam a ter lugar no domínio da cultura, a nível nacional, realçando a nossa capacidade de criar, de engendrar o Belo, na música, na poesia, na dança, na ficção, nas artes cénicas, nas artes plásticas, num processo claro de humanização.

De destacar, por exemplo, na literatura, a atribuição do Prémio Camões ao escritor Germano Almeida, o que, sem sombra de dúvidas, é um tributo ao talento desse escritor, mas também, o reconhecimento da maturidade da literatura cabo-verdiana.

Através de Germano Almeida, galardoado depois de Arménio Vieira, é toda a literatura cabo-verdiana que é alcandorada a um nível muito elevado, o que proporciona maior visibilidade e amplia o espaço de afirmação para os diversos criadores literários.

No domínio da literatura é de se referir, ainda, à realização, na Ilha do Sal, da 2ª edição do Festival Literatura Mundo que reuniu escritores e editores cabo-verdianos e várias dezenas de participantes oriundos de Portugal, Brasil, Alemanha, Argentina, entre escritores, editores e tradutores, na perspectiva do intercâmbio de pessoas ligadas à literatura, bem como da internacionalização da literatura cabo-verdiana.

Nos próximos dias, terá início a 2ª edição do Morabeza Festa do Livro, que, na cidade do Mindelo, reunirá escritores dos diferentes países da CPLP, prevendo-se dar continuidade ao debate em torno da literatura que se produz nos nossos países, na linha do que aconteceu na cidade da Praia, durante a 1ª edição.

O ano de 2018, fica, também, marcado pela conclusão e apresentação à Unesco da candidatura da morna a património imaterial da humanidade, fruto de um intenso trabalho de compositores, músicos, pesquisadores, intelectuais, políticos e cidadãos anónimos, que pretende consagrar, formalmente, a faceta universal dessa sublime parcela da cabo-verdianidade.

Tenho procurado incentivar todos os protagonistas deste processo e disponibilizei-me para, oportunamente, na qualidade de Chefe de Estado, fazer uma diligência junto à Unesco no sentido de reforçar essa candidatura.

A bailarina e coreógrafa cabo-verdiana, Marlene Monteiro Freitas, que tem desenvolvido interessantíssima actividade artística a nível internacional, foi premiada com o Leão de Prata da prestigiada Bienal de Dança de Veneza, no passado mês de Junho, elevando bem alto o nome de Cabo Verde nessas modalidades. Considerada uma das mais importantes bailarinas e coreógrafas contemporâneas, Marlene Freitas tem trabalhado com os mais conceituados bailarinos e coreógrafos contemporâneos e vem desenvolvendo projectos, em Portugal e no mundo, integrando sempre a música cabo-verdiana na sua actividade artística.

No domínio musical, para além de festivais e concertos de qualidade diversificada, e dos quais, geralmente, participam artistas radicados no exterior, importa referir-se ao Kriol Jazz Festivale ao Mindel Summer Jazz Festivalque reúnem, anualmente, na cidade da Praia e em Mindelo, respectivamente, importantes bandas e intérpretes nacionais e estrangeiros nesse tipo de manifestação artístico-musical.

No teatro, o mês de Março, e não só, foi, como habitualmente, preenchido com diversas encenações teatrais em várias ilhas, e, em particular na de S. Vicente que se prepara para receber, no mês de Novembro, o popular e afamado Festival Internacional de Teatro Mindelact.

Durante o ano em curso, numa perspectiva de divulgar e valorizar a criatividade dos artistas plásticos e artesãos nacionais, foram realizadas diversas exposições de pintura e de artesanato, de entre as quais se destaca a Feira de Artesanato e Design URDI, um evento desenhado essencialmente pelos artesãos e para os artesãos numa perspectiva de mostrar que, através do artesanato, se pode criar postos de trabalho digno.

Cabo Verde Internacional Film Festival, lançado em 2010, realizou a sua 9ª edição na ilha do Sal, na primeira quinzena de Outubro, durante o qual estiveram em disputa pelo menos 15 filmes, de autores de diversos países, incluindo os de Cabo Verde, que é o anfitrião deste encontro da sétima arte.

Na linha da promoção do cinema e audiovisual, arranca em Mindelo, a 19 de Outubro, a 3ª edição do Festival OIÁ com uma mostra de filmes “de e sobre Cabo Verde”, bem como algumas importantes produções independentes internacionais.

No domínio da gastronomia, de realçar o excelente trabalho de divulgação da cultura gastronómica nacional que é feito pelos organizadores do Kavala Fresk Festival, um certame que já vai na sua 6ª edição e que elege a “diplomacia gastronómica” como a pedra-de-toque do futuro.

O incremento de actividades culturais realizadas no país, ao nível dos diferentes Concelhos, é, de facto, uma realidade.

Devemos reconhecer que, para tal, o esforço do Governo no apoio à cultura tem sido muito importante e apelamos ao executivo para que continue nessa senda e na procura de uma intervenção cada vez mais descentralizada.

O Dia 18 de Outubro – Dia Nacional da Cultura e das Comunidades – é também o momento de lembrar, com carinho e gratidão, as nossas Comunidades,espalhadas pelos quatro cantos do mundo, e reconhecer o papel de extrema importância que a diáspora cabo-verdiana tem desempenhado na afirmação da independência, no desenvolvimento de Cabo Verde, na construção da nossa democracia, e na perenização da nossa cultura.

No dia de hoje, em particular, devemos lembrar a dimensão cultural da nossa comunidade diaspórica que, mesmo longe, conserva as tradições mais vivas e fecundas herdadas da terra natal. Mantidas, quase intactas e orgulhosamente, na alma dos que partem, as comunidades cabo-verdianas fora do país têm muito contribuído para a garantia do sentido de pertença e de identidade da nossa Nação.

Esta parcela da nação cabo-verdiana está e estará sempre no centro das atenções do Presidente da República, traduzidas, primeiramente, numa actuação que promova o reforço do seu sentimento de pertença a esta Nação, através do estímulo a acções que tenham em vista o recorte da identidade cultural e a ampliação da sua participação política.

Permitam-me, neste particular, recordar, de forma saudosa, Antoni Denti D’ Oro e Rui Alberto Machado, nomes importantes da nossa cultura que, recentemente, nos deixaram fisicamente, mas, porque encarnaram valores essenciais da nossa identidade cultural, serão sempre lembrados, honrados e perpetuados.

Incentivo, pois, a todos os cabo-verdianos, no país e espalhados pelo mundo, a perseverar, com o seu trabalho e entrega, para o engrandecimento de Cabo Verde e a fortificar a Cultura que é a nossa alma, a nossa marca, o nosso selo, a nossa condição de sucesso.

  1. Discurso interessante do nosso Presidente valorizando os nossos valores humanos e os produtos destes. Fiquei, no entanto intrigado, que não tivesse falado dos nossos valores físicos, daqueles monumentos e patrimónios deixados pelos nossos antepassados que foram destruídos, sobretudo em S. Vicente, descaracterizando a ilha e cidade do Mindelo. Refiro-me ao Fortim Del REi, ao Consulado Inglês, um edifício dos mais antigos e significativos da ilha, A Praça da Dra Francisca, uma das médicas mais ilustres da nossa praça, entre outras barbaridades cometidas. A destruição do nosso património, daquilo que os nossos pais e avós nos legaram e fazem parte da nossas história é um crime não só de lesa-cultura de bárbaros, mas também de lesa-país.

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