Ex-sub-gerente da Caixa nega ter criado conta e cartão Vint4 falsos

19/10/2018 00:15 - Modificado em 19/10/2018 00:15
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“Qualquer operação feita no banco fica registada sem possibilidade de eliminar o registo”

O dia de hoje ficou marcado pela audição das testemunhas arroladas no processo-crime, contra o antigo subgerente da Caixa Económica de Cabo Verde, Herberto Rodrigues, que nega todas as acusações formalizadas contra ele no processo relacionado com o desvio de 280 milhares de euros, abuso de confiança e falsificação de documento, com o intuito de manipular diversas contas.

E ainda a questão do desaparecimento de uma bolsa contendo cerca de 30 mil contos em euros, que se encontrava dentro da Caixa Forte, e que foi veio a tona em 2015 durante uma auditoria e que é imputado ao Herberto Rodrigues.

Na parte de manhã, a audiência ficou suspensa quase meia hora, por falta de electricidade no local e não foi possível continuar logo de seguida, devido a inexistência de um gerador.

Durante o interrogatório das testemunhas, Manuel Almeida, Director Comercial da Região Norte foi questionado sobre o funcionamento da Caixa no Mindelo, dos regulamentos, bem como de situações  consideradas pertinentes para o caso.

No caso específico do rol das acusações, consta a criação de uma conta no nome de Manuel Ambrósio Nascimento, em Novembro de 2001, que  permitiu, alegadamente, ao arguido  efetuar diversas operações da conta em mais de trinta mil contos e que alegadamente servia como  “conta estratégica”. Mas o arguido  nega tê-la criado, defendendo que a criação de contas passa por um processo em que envolve a assinatura do requerente. E é feito pelo caixa principal, função que não coadjuva com a sua na época, subgerente e tesoureiro.

Informações suportadas pelo Director Comercial da zona de Barlavento, que admite também a não existência documental nda abertura da referida conta. Conta esta que se encontra bloqueada desde de Outubro de 2015.

No tocante ao cartão de débito associado à conta “falsa”, o arguido negou que tenha solicitado a sua emissão, que segundo a acusação esta foi solicitada por email, com o intuíto de não  deixar provas documentais.

A testemunha explicou que para a emissão de qualquer cartão Vinti 4, é preciso que o requerente preencha um formulário, com um documento de identificação e com a devida assinatura. O que mais uma vez, mostra que não existe. No entanto explica que existem casos em que a pessoa, caso esteja fora do país, pode solicitar o cartão por email, este é emitido mas não é activado. “Apenas quando a pessoa assina um documento comprovante é que o cartão é ativado”.

Sobre a coincidência das movimentações que mostram que sempre que Herberto Rodrigues, fazia uma operação com o seu cartão e de seguida ocorria uma outra com este cartão, em questões de segundos, ou pouco mais, o responsável comercial da CECV, em Mindelo diz que não consegue explicar, mas se os registos dizem isso. “Não posso dizer se foi ele, mas se os registos mostram exactamente isso”, diz este responsável.

A testemunha também foi confrontada com a questão da Caixa Forte, de onde desapareceram alguns milhares de euros, e que o arguido havia confirmado na quarta-feira, ontem 17 Outubro, que tinha acesso ao local, que só abriu com uma chave e um código, advertindo ter apenas a chave.

Declarações confirmadas por este responsável que assegurou que a porta não pode ser aberta por uma única pessoa, alegando que o dinheiro encontra-se sempre dentro do cofre. No entanto existem provas que mostram que era normal em algumas situações encontrar dinheiro dentro da caixa forte, mas fora dos cofres.

O julgamento teve inicio esta quarta-feira e nos próximos dias a audiência está reservada a audição de testemunhas, tanto de acusação como de defesa.

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