Mais de 100 mil contra Morsi na Praça Tahrir

28/11/2012 01:50 - Modificado em 28/11/2012 01:50
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Mais de 100 mil pessoas concentram-se na Praça Tahrir para exigir revogação do decreto que concede plenos poderes ao Presidente do Egipto.

 

Um grande comício contra o Presidente do Egipto, Mohamed Morsi, convocado para a Praça Tahrir, reuniu mais de 100 mil pessoas – um número equivalente às grandes manifestações que levaram ao derrube de Hosni Mubarak. As palavras de ordem que se ouvem, aliás, são as mesmas que se usaram contra o ditador deposto no ano passado.

 

“O povo quer que o regime caia” e “vai-te embora!” foram slogans gritados e pintados em faixas e cartazes empunhados pelos manifestantes que percorreram várias cidades egípcias, mas sobretudo as ruas do Cairo em direcção à praça símbolo da revolução egípcia, por vezes envolvendo-se em confrontos com a polícia — pedras de um lado, nuvens de gás lacrimogénio do outro. Houve mais um morto, por inalação de gás lacrimogénio, o que eleva a três o número de vítimas nos protestos desde que Morsi publicou o decreto, no dia 22 de Novembro.

 

Outras manifestações contra a iniciativa presidencial foram convocadas para as cidades de Alexandria, o delta do Nilo e o centro do país. Na segunda maior cidade do país, Alexandria.

 

Em causa está o decreto em que Morsi de dotou de poderes extraordinários, barrando a possibilidade de as suas decisões serem contestadas nos tribunais. A oposição exige a revogação imediata do decreto e a demissão do Presidente, que acusam de golpe de Estado. “A Irmandade Muçulmana roubou a revolução”, lê-se numa faixa pendurada na praça.Por um lado, a oposição uniu-se para defender o respeito pelo poder judicial – uma imagem simbólica da mobilização de hoje foi a descrita pela AFP de milhares de advogados a desfilar em direcção à Tahrir. Mas um aspecto muito importante da contestação, e que funcionou como cimento das várias pequenas forças políticas seculares da oposição foi a contestação à tomada do poder que consideram que a Irmandade Muçulmana está a fazer.

 

Vêem-se cartazes e faixas com dizeres contra a Irmandade Muçulmana, o partido de Mohamed Morsi: “A Irmandade Muçulmana mente”, lê-se num cartaz, segundo a agência noticiosa francesa, enquanto outro diz “A Irmandade Muçulmana aqui não entra”.

Mohamed ElBaradei, o ex-director da Agência Internacional de Energia Atómica que hoje lidera uma aliança de pequenos partidos da oposição, deu uma entrevista à revista alemã Der Spiegel em que condena claramente Morsi: “Ele agarrou o máximo de poder para si próprio. Nem os faraós tinham tanta autoridade, para não falar de Mubarak. Isto é uma catástrofe — é fazer pouco da revolução que o conduziu ao poder e um acto que faz temer o pior”. “O que se está a passar no Egipto representa um grave perigo para o processo de democratização do país. A opinião pública nunca esteve tão polarizada como hoje”, disse o ex-secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, também entrevistado pela Spiegel.

 

Colisão com o poder judicial

 

A assinatura da polémica declaração que isenta todas as leis e decretos presidenciais do escrutínio judicial lançou o Egipto numa nova crise política e de segurança. O Governo de Mohamed Morsi entrou em rota de colisão com o poder judicial, e provocou o abandono das negociações para a redacção de uma nova Constituição por parte dos grupos cristãos e seculares na assembleia constituinte, que é dominada pelos islamistas e que também ganhou imunidade judicial com o decreto do Presidente.

 

Mohamed Morsi esteve reunido com os juízes do Supremo Conselho Judicial na segunda-feira, numa tentativa de sanar a crise com a magistratura que levou à paralisação dos trabalhos em vários tribunais do país.

 

Os juízes criticaram duramente o decreto assinado pelo Presidente e notaram que a imunidade judicial só poderia ser utilizada em matéria de soberania.

 

Antes do encontro, o porta-voz da presidência indicara a disponibilidade de Morsi para acatar a interpretação restritiva dos juízes e limitar o âmbito dos seus novos poderes executivos e legislativos. Mas no final da reunião, Yasser Ali informou que o Presidente não iria proceder a nenhuma emenda ao decreto assinado na última quinta-feira.

 

“A reunião foi um fracasso. Não podemos dizer que pôs fim à crise entre a presidência e o poder judicial”, declarou à AFP Abdel Rahman Bahlul, um dos juízes que participou no encontro.

 

 

 

jn.pt

 

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