Vaginismo: Quando o corpo diz ‘não’ ao sexo

11/10/2018 00:28 - Modificado em 11/10/2018 00:28
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“Não conseguimos controlar o que o nosso corpo faz”. A recordação de Isley Lynn da sua primeira experiência sexual, quando era adolescente, é traumatizante.

“Senti-me muito mal. Sentia que havia algum problema comigo. Que a culpa era minha”, explica Lynn.

Muitos podem lembrar-se da timidez ou de falta de jeito na primeira relação sexual. Mas a reação de Isley (agora com 30 anos) foi o resultado de uma condição física ainda por muitos desconhecida – o vaginismo.

O serviço de saúde pública do Reino Unido (NHS), define o vaginismo como uma reação automática do corpo de medo perante a possibilidade de uma penetração vaginal.

Os músculos da vagina contraem-se e a mulher não tem controle sobre essa reação. Há quem tenha dificuldade em inserir um tampão, fazer sexo ou sente uma dor semelhante a uma facada ou um ardor extremo.

O vaginismo trouxe uma carga emocional para os relacionamentos de Isley. “Lembro-me de sentir medo que os meus parceiros pensassem que não gostasse deles ou que eu não me sentia atraída por eles”, diz.

A mulher foi diagnosticada com vaginismo no final da adolescência e tratada com dilatadores vaginais que, progressivamente, aumentam de tamanho, para relaxar os músculos. Fez ainda fisioterapia.

Isley afirma que depois de algum tempo percebeu que os tratamentos não estavam a funcionar e que encontrar uma ‘cura’ não era a solução para a sua felicidade a longo prazo.

“Já aceitei e entendo que não é necessário ter uma vida sexual como a da maioria dos indivíduos para ser feliz”, sublinha.

Mas o que é o vaginismo?

“O vaginismo é diferente de apenas dor durante o sexo, porque é uma reação automática do corpo que provoca isso”, explica a médica Vanessa Mackay, obstetra e ginecologista no Queen Elizabeth University Hospital, em Glasgow, na Escócia.

“É difícil calcular quantas mulheres têm essa condição, porque a maioria das que sofrem com algum problema sexual optam por não falar sobre o assunto”, acrescenta Mackay.

Além de abordar o lado físico da questão, os tratamentos devem-se focar no lado psicológico – tratar o medo da penetração.

Aconselhamento com sexólogos é frequentemente usado, diz Mackay. “É uma espécie de terapia, para ajudar a pessoa a compreender e mudar os sentimentos em relação ao próprio corpo.”

“Técnicas de relaxamento ajudam a soltar os músculos vaginais. Exercícios pélvicos no chão também podem ser usados para tratar o vaginismo”. 

A médica menciona ainda o uso dos dilatadores vaginais como parte do tratamento. “Eles têm o formato de tampões – semelhantes aqueles usados durante a menstruação – e têm diferentes larguras e tamanhos, para fazer com que a mulher se habitue a ter algo dentro da vagina”.

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