Incapaz de sentir prazer? Entenda o que é a anedonia

2/10/2018 00:04 - Modificado em 2/10/2018 00:04

 Ir à praia, beber um copo com os amigos, ir ao cinema, sair para a discoteca, ler um livro, fazer compras… para muitos, essas são atividades extremamente agradáveis e fontes de prazer. Porém, para outros não suscitam qualquer tipo de sensação…

Segundo a BBC News, citada pela primeira vez em 1896 pelo psicólogo francês Théodule-Armand Ribot, a anedonia atinge, segundo o psiquiatra Luiz Scocca, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e da Associação Americana de Psiquiatria (APA), cerca de 70% dos pacientes com depressão. Estima-se ainda que no mundo, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que a doença afete 322 milhões de pessoas.

“A anedonia é o sintoma nuclear da depressão. É um problema complicado e que varia de intensidade relativamente à gravidade do transtorno. Isso significa que o paciente pode perder o prazer por uma coisa específica e que sempre gostou muito, como escutar música e comer, ou por todas”, explica.

O médico relata ainda que essa condição inibe os comportamentos saudáveis, fundamentais para uma vida plena e feliz.

“Com ela, a pessoa deixa de se relacionar com os outros, mantendo um isolamento social, e passa a ter mais pensamentos negativos”, acrescenta.

O que também ocorre é que ela se torna indiferente consigo mesma, não tendo apego por nada e nem ninguém. O indivíduo parece estar emocionalmente vazio ou ‘congelado’, sem sofrer alterações de humor, independentemente do que aconteça ao seu redor. E nem sempre ele se dá conta disso.

Tendo grande impacto na qualidade de vida, a anedonia provoca ainda uma sensação de desconexão com o mundo e, o que é pior, eleva o risco de suicídio.

Apesar de não haver dados efetivos sobre a relação entre a falta de prazer e o número de suicídios, é importante destacar que eles têm aumentado de forma assustadora. A OMS informa que são cerca de 800 mil por ano, o que significa uma morte a cada 30 segundos no mundo.

Causas

A anedonia nunca vem sozinha. Normalmente, é acompanhada de desânimo, cansaço, fadiga, apatia, diminuição de energia e dificuldade de concentração. E, apesar de ser o sintoma central para o diagnóstico da depressão mais severa, também pode acometer usuários de drogas e álcool, sobretudo durante as crises de abstinência, e quem sofre de esquizofrenia, neurastenia, Parkinson, cancro, stress pós-traumático, distúrbios alimentares e transtornos de ansiedade.

“É uma questão neurobiológica, e o que sabemos por enquanto é que está associada à diminuição da atividade no circuito de recompensa do cérebro”. 

O seu aparecimento também parece estar relacionado com o aumento da atividade na região frontal do córtex pré-frontal, que, dentre outras funções, controla a inibição das respostas emocionais, e os baixos níveis de dopamina – o neurotransmissor responsável pelas sensações de bem-estar e prazer.

Tratamento

Por ser um sintoma, e não um transtorno propriamente dito, a anedonia obrigatoriamente precisa ser tratada junto com a doença. No caso da depressão, antes de mais nada é necessário identificar o grau (leve, moderada ou grave) e o tipo.

“As depressões são heterogéneas e multifatoriais, por isso não existe um tratamento único. Fora que o que funciona para uma pessoa não necessariamente será bom para outra. No entanto, de maneira geral, o que propomos é o uso de fármacos, podendo ser antidepressivos, estabilizadores de humor e ansiolíticos, associados ou não a terapia”, sublinha a psiquiatra Doris Moreno, do Programa de Transtornos do Humor do Instituto de Psiquiatria (IPq) da Universidade de São Paulo (USP).

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