Etiópia é o país do mundo com mais deslocados em 2018

12/09/2018 10:59 - Modificado em 12/09/2018 10:59

A Etiópia encabeça a lista mundial de deslocados internos, com quase um milhão e meio de etíopes obrigados a deixar as suas casas, por causa da violência étnica, na primeira metade de 2018, segundo um relatório divulgado hoje.

“É incrível que 1,4 milhões de pessoas a sofrer por violência não ocupem títulos de jornais. O mundo fez vista grossa à Etiópia”, lamentou o diretor regional do Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC), Nigel Tricks, em comunicado.

No último ano e meio, o número de deslocados internos na Etiópia aumentou 75%, segundo informações das organizações humanitárias.

Trata-se da crise de deslocados que mais rapidamente aumentou no mundo, devido em grande parte aos recentes confrontos étnicos nas regiões de Gedeo e Guji Oeste, no sul da Etiópia, que provocaram um milhão de deslocados.

Outros 200.000 deslocados são fruto da contínua violência na região fronteiriça entre Oromía e a Somália, e cerca de outros 200.000 tiveram que abandonar as suas casas por diferentes incidentes, explica o relatório do Centro de Acompanhamento do Deslocamento Interno, citado pela EFE.

As agências de ajuda humanitária estão a ter dificuldades para suprir as necessidades de alimentos, água e assistência médica a estas pessoas, acolhidas em abrigos comunitários sobrelotados, uma situação agravada pela atual estação das chuvas.

“As pessoas dizem-nos que estão ansiosas por regressarem aos seus lugares, mas precisam de saber que receberão apoio para reconstruir as suas vidas”, explicou Tricks.

“É importante que os regressos sejam voluntários e sustentáveis. As famílias devem ter a certeza que as áreas são seguras antes de regressarem”, acrescentou.

O Governo da Etiópia está a trabalhar para encontrar uma solução duradoura para esta crise.

Os “Aba Gadas” (líderes tradicionais) das zonas de Guji Oeste e Gedeo estão a realizar conferências de paz e reconciliação desde o passado 28 de julho para facilitar o regresso voluntário dos deslocados aos seus lugares de origem, segundo o Escritório da ONU para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês).

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.