Projeto internacional de infraestruturas da China reduz desigualdades

11/09/2018 08:19 - Modificado em 11/09/2018 08:19

O projeto de infraestruturas internacional lançado pela China, que suscita preocupações sobre as ambições estratégicas de Pequim, está a reduzir a desigualdade entre países e regiões, afirmou hoje uma unidade de investigação.

estudo, liderado pela AidData, da universidade norte-americana William & Mary, surge numa altura em que críticos denunciam a armadilha do endividamento nos países incluídos na Nova Rota da Seda.

Bancos estatais e outras instituições da China estão a conceder enormes empréstimos para projetos lançados no âmbito daquela iniciativa, que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas ou malhas ferroviárias ao longo da Europa, Ásia Central, África e sudeste Asiático.

A AidData analisou 3.485 projetos, em 138 países, e concluiu que estes resultaram numa distribuição mais justa da atividade económica, ao melhorar o acesso ao emprego e mercados, reduzindo diferenças económicas que “elevavam o risco de distúrbios violentos”.

“Analistas e políticos ocidentais descrevem muitas vezes Pequim como um ator negligente, egoísta e sinistro”, considera o diretor da AidData, Bradley C. Parks. No entanto, ao impulsionar uma distribuição mais justa da atividade económica, “o investimento chinês corrige uma das raízes fundamentais para a instabilidade global”, realça.

O estudo foca apenas um aspeto do financiamento chinês, enquanto o impacto geral, que inclui a corrupção ou degradação ambiental, é uma questão “mais complexa”, reconhece Park.

Críticos da iniciativa apontam para um aumento problemático do endividamento, que em alguns casos coloca os países numa situação financeira insustentável.

No Sri Lanka, um porto de águas profundas construído por uma empresa estatal chinesa, numa localização estratégica no Índico, revelou-se um gasto incomportável para o país, que teve de entregar a concessão da infraestrutura e dos terrenos próximos à China, por um período de 99 anos.

No Quénia, o Governo enfrenta protestos e greves, depois de ter criado um imposto de 16% sobre combustíveis para pagar os custos de construção. O montante de pagamentos do país aos bancos chineses vai triplicar, a partir de 2019.

No mês passado, o primeiro-ministro da Malásia, Mahathir Mohamad, cancelou projetos apoiados pela liderança chinesa no seu país e avaliados em mais de 22.000 milhões de dólares (19.000 milhões de euros).

“Nós não queremos uma nova versão do colonialismo porque os países pobres não conseguem competir com os países ricos”, afirmou Mahathir sobre a sua decisão.

Pequim, que publica poucos detalhes sobre o financiamento além-fronteiras, recusa que a Nova Rota da Seda tenha causado um excesso de endividamento.

“O nível de vida das populações e o desenvolvimento económico foram impulsionados”, afirmou, em agosto passado, o diretor do Gabinete Nacional de Estatísticas chinês, Ning Jizhe.

O estudo da AidData analisa uma lista de projetos recolhida a partir de comunicados governamentais, notícias e pesquisa de académicos e organizações não-governamentais.

Mais de 40% dos projetos são estradas, caminhos-de-ferro, pontes, portos, aeroportos, rede elétricas, antenas de telemóveis e linhas de fibra ótica. O resto inclui hospitais, escolas e esgotos.

Para medir o impacto económico, os pesquisadores analisaram as mudanças na utilização de luzes durante a noite em cidades e áreas rurais, com base em imagens de satélite.

Os projetos financiados por Pequim talvez produzam mais benefícios, porque as empresas chinesas trabalham mais rápido, enquanto projetos financiados pelo ocidente podem demorar anos, considera Parks.

O estudo considera ainda que os projetos promovidos pela China tendem a ligar áreas no interior dos países a portos, permitindo impulsionar as exportações.

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