Crianças na rua: “Não alimente a esmola. Alimente o futuro”

5/09/2018 22:55 - Modificado em 5/09/2018 22:55

A ilha de São Vicente acolheu na passada terça-feira uma jornada de reflexão sobre criança de rua na cidade do Mindelo, e cujo objectivo foi fazer uma análise profunda sobre esta problemática, na expectativa de construir uma estratégia de intervenção para garantir os direitos destas crianças e, ao mesmo tempo, minimizar os efeitos sociais negativos criados com esta situação.

Entre as diversas actividades foi lançado mais uma edição da campanha, “Criança não é de rua”, como o slogan “Não alimente a esmola. Alimente o futuro” que tem como objetivo alertar a população em geral para as consequências negativas e perigosas de dar dinheiro às crianças e adolescentes que vivem nas ruas e, ao contrario, orientá-las acerca das melhores práticas para ajudar quem precisa”.

É um facto, todos os dias constatado, que é cada vez maior o número de crianças e adolescentes que vivem em estado de abandono, sujeitando-se a diversos riscos tais como estupro, trabalho forçado, agressão e vícios em álcool e drogas diversas.

Uma campanha apoiada pela maioria da população que acredita ser esta uma boa forma de evitar o aumento crescente de crianças na rua. “Dou esmola para alguns mas nunca em dinheiro. Primeiro porque não apoio, pois alguns adolescentes, com esse dinheiro vão consumir drogas ou bebidas alcoólicas. Também aprendi que mesmo dando-lhes alimentos e roupas muitos trocam-nos por drogas e bebidas”, declarou uma cidadã.

“Não direi que sou contra pois existem raríssimas excepções. Já ajudei muito e só obtive decepções. Não pelo que lhes dei, mas por ver que jogavam muitas coisas fora, coisa que eu não faria. Acrescentou ainda que como são pessoas frias em matéria de auxílio ao próximo, são frios em sentimentos”.

Segundo um estudo feito pelas Aldeias SOS, considerando a realidade nas ruas da cidade, os factores principais que levam crianças e adolescentes a viverem nas ruas são causados por famílias desestruturadas, políticas económicas ineficazes, carência de apoio educacional e acompanhamento do Estado.

O destino dessas crianças e jovens é extremamente preocupante. A propósito desta  jornada de reflexão que decorreu esta semana no Mindel, o NN foi á procura de algumas dessas personagens que deambulam pelas ruas da cidade.

São apenas um retrato da vida que diversas crianças e adolescentes levam hoje em Cabo Verde. Crescem à margem da sociedade e são o reflexo da falta de uma estrutura familiar. S (identificado assim como forma de proteger o seu anonimato) não chegou a conhecer o pai. Foi criado pela mãe até aos cinco anos. Actualmente tem 12 anos e vive pelas ruas da cidade. Come quando dá e dorme onde calha encontrar um bom lugar. “Agora eu não tenho ninguém. Fico na rua”, lamenta.

“Convive no frio, somos maltratados, tratados pior que cachorro, sofremos dia por dia. Tenho vontade de melhorar de vida, ter minhas coisas”.

Só por si é algo preocupante, então aliado à problemática do vício de drogas, a situação tende a piorar. Não é a droga que leva as pessoas às ruas, mas sim as ruas que levam às drogas, acrescenta S.

“Ninguém está na rua porque quer ou está bem. Não é bem uma questão de escolha, principalmente falando de crianças e adolescentes. Deparar com esse cenário de crianças vivendo nas ruas é violento. Estamos falando de violência”, esclarece uma psicóloga sobre este assunto.

  1. Francisco Andrade

    Uma matéria que a Câmara Municipal de São VICENTE, DEVERIA DESBRUÇAR E PARAR DE FINANCIAR CARNAVAIS E FESTIVAIS..POIS AS CRIANCAS SAO O FUTURO DE CABO VERDE.
    ESPERO QUE DESTA VEZ NN PUBLIQUE O MSEU COMENTARIO.

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