Colisão entre dois comboios em Angola faz pelo menos 17 mortos

5/09/2018 10:48 - Modificado em 5/09/2018 10:48

Acidente aconteceu de manhã e terá tido origem num erro humano.

O número de vítimas mortais no acidente de comboio que ocorreu esta terça-feira na província angolana do Namibe subiu para 17, tratando-se maioritariamente de angolanos e chineses, e ainda 12 feridos, confirmaram fontes oficiais.

O Governador do Namibe, Carlos Rocha da Cruz, indicou que a colisão ocorreu perto de Muninho, no município de Bibala, na província do Namibe, na linha dos Caminhos de Ferro de Moçâmedes (CFM), e que há pelo menos 12 feridos, que estão a ser transportados para o hospital mais próximo, o de Bibala, a 180 quilómetros.

Segundo Rocha da Cruz, duas das vítimas mortais são os maquinistas, um de nacionalidade angolana e outro chinês. Admitiu que o número de mortes pode subir, já que existem feridos graves e algumas pessoas encarceradas nas ferragens.

A circulação de comboios entre o Lubango e o Namibe está suspensa até que se removam as duas composições. “Aguardamos também por uma equipa do Instituto Nacional dos Caminhos-de-ferro, que, nestas circunstâncias, desencadeia um inquérito para apurar as reais causas”, disse.

Segundo o director da empresa CFM, Daniel Quipaxe, o acidente ocorreu às 6h30 (mesma hora em Lisboa) desta terça-feira e terá tido origem num erro humano.

“A colisão deu-se entre o comboio que seguia no sentido Lubango/Namibe, que transportava granito, e o que fazia a manutenção da via, sob responsabilidade chinesa, que circulava no sentido contrário [Namibe/Bibala]. Infelizmente aconteceu o acidente, que resultou em danos materiais e humanos”, disse o responsável em declarações à rádio pública angolana.

Falha no aviso de circulação de dois comboios

Daniel Quipaxe avançou que já está uma comissão a trabalhar para apurar as causas do acidente, mas indicou haver indicações de que se poderá ter tratado de um “erro humano” por parte de quem devia ter feito a comunicação antecipada da circulação dos dois comboios, “que não o fez no momento oportuno”.

Nesta altura decorrem igualmente, trabalhos para o desencarceramento da máquina chinesa “que foi a que mais sofreu”.

“Pensamos que deve haver mais vítimas na locomotiva chinesa. Existem condições e já lá estão os bombeiros também a colaborar connosco”, explicou Daniel Quipaxe, acrescentando que aquela via ficará interrompida enquanto se processa o desencarceramento e a retirada das duas composições.

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