Governo do Brasil anuncia plano de recuperação do Museu Nacional

4/09/2018 11:25 - Modificado em 4/09/2018 11:25
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Projecto está orçado em 15 milhões de reais (cerca de três milhões de euros). O presidente do Brasil, Michel Temer, irá envolver-se pessoalmente na angariação de doações e patrocínios.

Os ministérios brasileiros da Cultura e da Educação anunciaram na segunda-feira um plano de recuperação do Museu Nacional do Rio de Janeiro, destruído por um incêndioque afectou o edifício e o seu acervo.

Em comunicado publicado on-line, o Governo anunciou que irá formar um comité executivo para a recuperação do Museu Nacional, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e aplicar 15 milhões de reais (cerca de três milhões de euros) no projecto.

Segundo o comunicado, dois terços do valor destinado à recuperação serão investidos na segurança do local, no reforço das estruturas e da contenção e no resgate de parte do acervo. O restante será aplicado na criação de um projecto executivo de restauração da entidade.

De acordo com o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, o plano divide-se em quatro etapas. A primeira é a protecção da estrutura física do museu e do acervo, onde estão a ser identificadas as obras e as peças que ainda podem ser resgatadas. A segunda etapa será a elaboração do projecto básico e a terceira será a elaboração do projecto executivo para a reconstrução do museu, que poderá ter a participação da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, na sigla em inglês). A obra de recuperação em si será a última etapa, acrescenta a nota oficial.

O Presidente do Brasil, Michel Temer, entrou entretanto em contacto com bancos e empresas privadas, que já sinalizaram o interesse em patrocinar a reconstrução.

“Considerando a Lei Rouanet [lei de apoio à cultura no Brasil que incentiva o mecenato] como uma fonte de apoio ao museu, com apoio de outras entidades e parceiros como doadores, estamos procurando aumentar as condições de recuperarmos, com a maior brevidade, o nosso Museu”, indica o comunicado, citando o ministro da Educação, Rossieli Soares.

No Brasil, há mais de 3.700 museus, 456 dos quais são museus federais, descreve o portal do Governo.

O Museu Nacional do Rio de Janeiro foi fundado por D. João VI e era o mais antigo e um dos mais importantes museus do Brasil.

Entre os milhões de peças que documentam 200 anos de história brasileira estavam igualmente um diário da Imperatriz Leopoldina e um trono do Reino de Daomé, dado em 1811 ao príncipe regente João VI.

O ministro português da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, que se encontra no Rio de Janeiro em visita oficial, afirmou, na segunda-feira que a destruição no museu foi “uma perda irreparável”: “Estamos consternadíssimos. Nós sentimos também essa perda porque era um acervo importantíssimo da história natural do país, da sociedade brasileira e também da história política, sendo este o palácio onde o rei de Portugal se veio instalar quando levou a corte para o Brasil. É um monumento muito importante para a história dos dois países”, declarou o ministro à chegada ao Real Gabinete Português de Leitura, no Rio de Janeiro, onde abriu o nono colóquio do pólo de pesquisas luso-brasileiras.

Em Janeiro de 2015, o museu chegou a estar fechado ao público devido a “problemas com os serviços de vigilância e limpeza”, relacionados com o atraso de meses no pagamento, e os funcionários de limpeza também fizeram uma paralisação por falta de pagamento dos salários, noticiou então a imprensa local.

A história do museu remonta aos tempos da fundação do Museu Real por João VI, em 1818, cujo principal objectivo era propagar o conhecimento e o estudo das ciências naturais em terras brasileiras. Hoje, era reconhecido como um dos principais centros de pesquisa em história natural e antropológica da América Latina.

Fonte: Lusa

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