Jornal do PC Chinês acusa ocidente de “dor de cotovelo”

3/09/2018 10:40 - Modificado em 3/09/2018 10:40
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Um jornal oficial chinês afirmou que o ocidente sente “dor de cotovelo” face ao papel cada vez mais proeminente da China em África, ilustrando a insistência de Pequim de refutar acusações de neocolonialismo no continente.

O editorial do “Global Times”, jornal em inglês do grupo do Diário do Povo, o órgão central do Partido Comunista da Chinês, surge numa altura em que o Fórum de Cooperação China/África junta, em Pequim, dezenas de chefes de Estado e de Governo do continente africano.

O jornal denuncia a “retórica” na imprensa e por parte de políticos ocidentais, de que a China está a pilhar os recursos naturais do continente e a conduzir estes países para a armadilha do endividamento.

“Preferem revelar dor de cotovelo, ao invés de refletirem por que é que a colaboração de África com os Estados Unidos e a Europa ficou para trás”, acusa o jornal.

O “problema fundamental” é que o ocidente menospreza África e “trata o continente como se fosse o seu quintal”, acrescenta.

Num discurso proferido, esta segunda-feira, perante líderes e empresários chineses e africanos, também o presidente chinês, Xi Jinping, garantiu que o investimento de Pequim não acarreta “condições políticas”, apoiando a inclusão de África no projeto de infraestruturas internacional lançado pela China, a Nova Rota da Seda.

Bancos estatais e outras instituições chinesas estão a conceder enormes empréstimos para projetos lançados no âmbito daquela iniciativa, que inclui a construção de portos, aeroportos, autoestradas ou malhas ferroviárias ao longo da Europa, Ásia Central, África e sudeste Asiático.

Críticos apontam para um aumento problemático do endividamento, que em alguns casos coloca os países numa situação financeira insustentável.

“A China não interfere nos assuntos internos de África e não impõe a sua vontade sobre África”, afirmou Xi, notando que “os projetos desenvolvidos no continente visam resolver obstáculos ao desenvolvimento”.

“Os recursos para a nossa cooperação não são para ser gastos em projetos fúteis, mas nos sítios em que mais são necessários”, disse.

Segundo a unidade de investigação China AidData, desde 2000, Pequim concedeu mais de 110 mil milhões de dólares (94 mil milhões de euros) em financiamento aos países africanos.

O país asiático é, desde 2009, o maior parceiro comercial de África. Pelas estatísticas chinesas, nos primeiros seis meses deste ano, o comércio bilateral aumentou 16%, em termos homólogos, para 98.800 milhões de dólares (84.600 milhões de euros).

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