Exumação do corpo de Arafat marcada para esta terça-feira

25/11/2012 18:38 - Modificado em 25/11/2012 18:38
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Morreu de quê? Quem o matou? Israelitas? Palestinianos? Oito anos depois da morte, procuram-se respostas nos restos mortais do histórico líder palestiniano

 

“Profanação” ou “prova necessária”? Os restos mortais de Yasser Arafat vão ser exumados esta terça-feira em Ramallah, na presença de juízes franceses que procuram, oito anos após o desaparecimento do histórico líder palestiniano, esclarecer as causas da sua morte.

 

Esta exumação tem uma forte carga simbólica e revela “questões extremamente sensíveis” para os palestinianos, disse à AFP uma fonte diplomática palestiniana. Mistério, teorias da conspiração, lutas de poder e rivalidades familiares compõem o pano de fundo deste processo.

 

Os juízes franceses encarregues da investigação, e equipas de peritos suíços e russos chamados a pedido dos palestinianos, vão estar na Muqata, a sede da presidência da Autoridade Palestiniana em Ramallah, na Cisjordânia, onde foi instalado o mausoléu de Arafat. “A soberania palestiniana garante a segurança da investigação”, insistiu no sábado o presidente da comissão de inquérito palestiniana, Taufiq Tiraoui.

 

A operação vai acontecer ao abrigo de olhares de terceiros, por trás de enormes telas de plástico azul que escondem o mausoléu e os trabalhos de escavação que começaram em meados de Novembro.

 

“Tudo será feito em poucas horas”, disse Taufiq Tiraoui, explicando que depois da operação será organizado novamente um funeral oficial. “Yasser Arafat será enterrado novamente numa cerimónia digna e protocolar. Devemos respeitar aquele que é um símbolo para o povo palestiniano e para o mundo inteiro.”

 

Porquê agora?

 

Yasser Arafat morreu aos 75 anos, no dia 11 de Novembro de 2004, num hospital militar em Paris, para onde tinha sido transferido com o acordo dos israelitas que o tinham confinado à Muqata há dois anos.

 

Nenhuma informação médica clara sobre as causas da sua morte foi alguma vez publicada e muitos palestinianos acusam Israel de o ter envenenado, algo que Telavive sempre negou. Mas também há quem suspeite de uma intervenção palestiniana na morte Arafat, no âmbito de lutas de poder entre várias facções.

 

A tese de envenenamento foi relançada com a difusão em Julho de uma reportagem na Al-Jazira que revelou a presença de quantidades anormais de polónio – uma substância radioactiva altamente tóxica – no corpo de Arafat. A informação foi passada à televisão do Qatar pela sua viúva, Suha Arafat.

 

Foi na sequência destas revelações que Suha apresentou uma queixa em França por assassinato do seu marido, o que levou agora ao processo de exumação. A viúva de Arafat vive em Malta e nunca mais voltou à Palestina depois da morte do marido

 

“É uma prova necessária, dolorosa mas necessária”, disse Suha à AFP. “É preciso saber a verdade, é necessário para o nosso povo. Se houve um crime, é preciso que seja descoberto”, acrescentou, negando que tenha recusado uma autópsia ao corpo do marido em 2004.

 

“Profanação”, responde o sobrinho do líder palestiniano, Nasser al-Qidwa, presidente da fundação Yasser Arafat. “Nada de bom sairá daqui, nada disto fará bem aos palestinianos”, declarou à AFP.

 

Para Nasser al-Qidwa nunca houve dúvidas: Arafat foi envenenado por Israel. Ponto final.

 

 

 

jn.pt

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