China e Moçambique assinam oito memorandos de entendimento

2/09/2018 20:29 - Modificado em 2/09/2018 20:29

 Entidades de Moçambique e da China assinaram hoje, em Pequim, oito memorandos de entendimento, nas áreas das infraestruturas, indústria, telecomunicações, agricultura e serviços financeiros, durante um fórum de negócios inaugurado pelo Presidente moçambicano, Filipe Nyusi.

No setor das infraestruturas, foram assinados memorandos para a construção de uma estrada entre a província do Niassa, no extremo noroeste do país, e a Tanzânia, e a reabilitação da estrada nacional número seis, que liga a cidade da Beira, em Sofala, à vila fronteiriça de Machipanda, na província de Manica.

Um outro memorando, entre a Administração Nacional de Estradas de Moçambique e a China Road and Bridge Corporation, inclui a construção de um troço entre Pambara, no distrito de Vilanculos, e Mangungumete, no distrito de Inhassoro, na província de Inhambane, sul do país. Outro documento prevê a construção de um sistema integrado de transportes entre o vale do Limpopo e o porto de Chongoene, no sul da província de Gaza.

Parques industriais em Boane e Marracuene, na província de Maputo, fazem parte do memorando assinado entre o Ministério moçambicano da Indústria e do Comércio e o grupo China Civil Engineering Construction. Também o Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar de Moçambique assinou um memorando com o grupo China Railway 20 Bureau Group Corporation e a Northwest University.

No setor da tecnologia de telecomunicações, a chinesa Huawei selou um memorando de entendimento com a Moçambique Celular, enquanto na área financeira o banco moçambicano Millennium Bim assinou um memorando com a UnionPay, empresa chinesa líder em sistemas de pagamentos eletrónicos.

O evento, realizado na véspera do arranque do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC), contou ainda com a participação do ministro moçambicano dos Recursos Minerais e Energia, Max Tonela, o diretor-geral da Agência para a Promoção de Investimento e Exportações (APIEX), Lourenço Sambo, e do presidente da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH), Omar Mithá.

Trinta e nove empresários moçambicanos, do setor público e privado, marcaram também presença.

Em declarações à agência Lusa, o presidente do conselho diretivo da Confederação das Associações Económicas de Moçambique, Agostinho Vuma, admitiu que, apesar de “a internacionalização da China ser feita por empresas públicas”, o tecido empresarial moçambicano quer ter maior participação nas relações económicas entre Pequim e Maputo.

“Estamos a identificar projetos que merecem financiamento do Governo chinês; há instrumentos importantes de cooperação com a China para além das empresas públicas e instrumentos financeiros que estão a dar um salto qualitativo ao investimento direto chinês em Moçambique”, disse.

Vuma assumiu ainda “a necessidade de ver empresas chinesas a envolverem-se em grandes projetos no setor dos hidrocarbonetos” e de “mostrar ao mercado chinês as reformas” que estão a ser aplicadas em Moçambique.

“Está em curso uma lei de trabalho que se espera vir a flexibilizar as relações laborais, como a quota para empregar estrangeiros e a participação de estrangeiros na transferência de ‘know-how'”, disse.

A terceira edição do Fórum de Cooperação China-África (FOCAC) deverá juntar, em Pequim, na segunda e na terça-feira, dezenas de chefes de Estado e de Governo do continente africano.

A cimeira contará com três novos países, incluindo São Tomé e Príncipe, que se junta aos restantes países africanos de língua portuguesa, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

As restantes estreias são o Burkina Faso e a Gâmbia, que elevam assim para 53 o número de nações africanas com relações com a China.

Desde 2015, a média anual do investimento direto da China no continente fixou-se em 3.000 milhões dólares (2.500 milhões de euros), com destaque para novos setores como indústria, finanças, turismo e aviação.

O primeiro Fórum de Cooperação China-África aconteceu em Pequim, em 2006, e a segunda edição decorreu na África do Sul, em 2015.

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